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segunda-feira, maio 29, 2006

Fui

Queria guardar tudo. O reencontro, os momentos, os sorrisos, os passos, os abraços. Queria ter na minha cabeça imagens, fotografias, sons, inspirações e expirações.
Queria recordar tudo sem ter de pensar, as ideias deviam vir simpes e espontaneamente à minha cabeça e dançar num compasso livre e disperso, como ela quisessem, sem constrangimentos e sem segundas intenções.
Queria ter coragem de embarcar nessa aventura, voar, pousar, sentir, aderir, compreender, perceber, ver, reflectir, pensar, concluir.
Imaginava tudo tão difuso, tão nebulado. Queria atitude, coragem, dedicação. Eliminei o conformismo, cedi à vontade, à grande vontade. Respirei, ganhei coragem, acreditei e fui.
Adorei.
Pode não ser grande passo para todos os que não o vêem assim. Para mim foi desafiar-me a mim mesma e à minha coragem, tantas vezes de garganta...acho que me fiz crescer.

terça-feira, abril 25, 2006

Inspira(-me)

Aqui, neste frio de fim de tarde/princípio de noite, falta-me a inspiração. Falta-me a memória daquelas coisas que me lembro enquanto ando na rua, do que penso quando me cruzo com quem quer que seja, ou daquilo que gostaria de escrever se tivesse papel quando vejo aquelas coisas que me comovem ou que me chocam ou que pedem de mim uma intervenção (aquela que penso feita à minha maneira).
E vivo assim nesta incostância minada, umas vezes pela vontade de escrever e outras pela frustração de não me lembrar o quê.
A substância é muitas vezes aquilo que me falta nestes dias que me perseguem como se o amanhã nunca mais chegasse. E por mais que me deite e teime em deixar a portada entreaberta para acordar sem despertador, parece que o novo dia que chega é sempre igual. As pessoas as mesmas, as acções automatizadas e as obrigações mais do que instituídas.
E penso que já não me lembro bem daquilo que pensei ontem precisar de escrever. Parece um paradoxo. Não sei precisar aquilo que preciso de escrever.
E o passar dos dias só é uma confirmação disto que sinto.

quinta-feira, abril 20, 2006

Num Meio de Minuto...

Tenho tantas saudades tuas.

terça-feira, março 14, 2006

Dias Exemplares

São três histórias. Sempre três personagens. Uma Mulher. Um Homem. E uma Criança. As vidas cruzam-se como na vida real. Em três tempos diferentes. Passado. Presente. Futuro. Nesses três tempos, sem nos darmos conta, somos transportados como se quiséssemos ir, como se a eles pertencessemos. Em comum têm apenas uma tigela. E mais importante que isso, a poesia de Walt Whitman. Um poema, "Folhas de Erva", que se torna, sem darmos conta, o mote destas histórias. Como o poema é enorme, deixo um excerto. Espero que aguce o apetite.

"Já disse que a alma não é mais do que o corpo,
E já disse que o corpo não é mais do que a alma,
E, para cada um, nada, nem Deus, é maior que se próprio,
E quem caminha duzentos metros sem amar caminha para o seu próprio funeral, envolto na sua mortalha,
E eu ou tu, que não temos tostão, podemos comprar o melhor que há na terra,
E olhar de relance ou mostrar um feijão na sua vagem obscurece o saber de todos os tempos,
E não há ofício nem trabalho em que um jovem não possa tornar-se um herói,
E não há objecto tão frágil que não possa servir de eixo às rodas do Universo,
E digo a cada homem ou mulher: Que a tua alma permaneça serena e plácida perante um milhão de universos."

domingo, março 05, 2006

Apetecia-me...

Às vezes apetecia-me parar, no caminho para casa. Parar naquela ponte, que permite passar a linha do comboio. Apetecia que ela não tivesse aquela cor, aquela textura, aquela frequência às vezes aflitiva durante o dia e aquele silêncio arrepiante durante a noite. Às vezes apetecia-me sentar, naquela ponte que (apetecia-me) não tivesse aquele metal à volta a proteger das quedas. Apetecia-me sentar, deixar cair as pernas e ficar com elas a abanar...para trás e para a frente, para a frente e para trás. E depois ouvir o vento. Apetecia-me que nesses momentos os meus pensamentos não fossem interrompidos pelo barulho que me ensurdece, sempre que lá passo. A petecia-me ficar a ouvi-lo. Porque os pensamentos estão sempre em mim, quando passo naquela ponte. E apetecia-me sentar, baloiçar os pés e parar por momentos, num segundo. Assim, o momento iria parecer algum escondido num daqueles filmes em que os pés balançam e em que muitas palavras ficam por dizer porque a velocidade a que circulam na cabeça não o permite.
Apetecia-me depois ficar a olhar para Lisboa. Aquela que tenho vindo a conhecer, pouco a pouco, mas loucamente, como qualquer paixão em início de namoro. Eu namoro-a desde o primeiro dia. E apetecia-me ficar com ela, senti-la, enquanto baloiçava os pés. E apetecia-me ficar a pensar naqueles que fazem parte dos meus dias, naqueles que não têm estado cá, naqueles que estão, naqueles que riem e choram e gritam e refilam e brincam e fazem parte de mim. Daqueles que vejo todos os dias e daqueles que desde a véspera da partida deixaram saudades. Apetecia-me, quando me sentasse, lembrá-los todos e senti-los, no sopro do vento, todos lado a lado, ao meu lado, nessa ponte onde passo todos os dias. Apetecia-me que não houvesse combóio nem rede nem arame nem barulho. Apetecia-me que às vezes, Lisboa fosse só esta paixão, com silêncio e onde eu pudesse ouvir, quando me apetecesse, apenas o sopro do vento.

domingo, fevereiro 12, 2006

Histórias...

Debaixo duma cama existe uma caixa de cartão azul. O azul é parecido com o chamado "azul petróleo", aquele azul forte. A caixa foi montada de acordo com um pequenito livro de instruções. A unir os seus vértices e arestas estão umas pequeninas molas pretas que encaixam, uma por dentro, outra por fora. Estas duas partes são "almas gémeas", feitas à medida para que encaixem perfeita e totalmente, uma na outra. O cartão, as molas e a cor fazem com que a caixa se distinga das outras que guarda debaixo da cama.
Dentro duma caixa azul petróleo de cartão, debaixo de uma cama, estão outras caixas, umas mais pequenas, outras maiores. Quando se abre a caixa azul, entra nas narinas um cheiro de recordações. Como quando se espreita uma gaveta que já não se abre há muito tempo ou quando se vai a um sótão onde os velhos livros ou as roupas antigas se amontoam.
Aquilo que está dentro daquela caixa azul debaixo da cama não é intrigante, surpreendente, nem tão pouco suspeito. Reservado apenas a quem a conhece, a caixa azul encerra em si várias preciosidades: cartas, bilhetes, papel de embrulho já utilizado, pequenos presentes.
Se falasse, aquela caixa azul petróleo poderia ser uma bela contadora de histórias. Porque dentro de si há muito mais do que um amontoado de papéis.
Numa breve vista de olhos pelo seu conteúdo, seria possível ficar a par de segredos, sonhos, decepções, gostos, ódios, anseios, desapontamentos.
É possível que só através das palavras escritas e das coisas materiais se possa fazer a história? Não se conhece nenhum poeta que não tenha deixado nenhum poema escrito, nem nenhum músico sem alguma melodia editada, nem pensadores, nem escultores, nem ninguém que seja conhecido apenas porque alguém o conheceu. Será preciso encerrar aquilo que se sente numa materialidade para que possa efectivamente existir, reunir tudo o que se sonha numa "colectânea de sonhos" para que se tornem passíveis de realizar? Porque não basta sentir, dizer, comunicar, transmitir? Porque tudo tem de ser escrito para existir? Afinal a História é mesmo feita de uma sucessão de acontecimentos que foram vistos, interpretados, narrados e transmitidos e ficaram para a posteridade, para que alguém os pudesse sentir de determinada forma. Não da maneira que aconteceram, porque por mais perfeito que seja o escritor, historiador ou romancista, aquilo que relata já tem a sua subjectividade; mas de uma maneira que tentasse recriar o que aconteceu na realidade, para que o leitor possa entendê-la.

Serão os amores impossíveis aqueles que realmente existem por serem aqueles que fazem a história? Afinal todos conhecemos histórias que contam sagas de amores proibidos nas quais dois apaixonados lutam por um amor difícil de concretizar e acabam por cair inevitavelmente nas malhas de um destino cruel.

A caixa azul, debaixo da cama, conta-me uma história de amor. Ela não se lembra bem como começou...conhece-a apenas, ainda que como a palma da sua mão. Sabe-a com um começo, muitas quedas, abraços e recomeços. Sabe-a forte, diferente do início e simultaneamente quase inalterada. Conhece-a pequenina, com bilhetes, sorrisos tímidos, mãos tímidas, olhares tímidos e todas as timidezes características de um início de uma história de amor que se preze. Conhece a sua evolução, as zangas, os tropeções, as lágrimas. Não se pense que a pequena caixa - tão pequena ao lado de tão grande história - apenas conhece tristezas. Deixem-me contar que conhece muitos sorrisos cúmplices, gargalhadas de manhã, à tarde e à noite, sonolentas, com preguiça ou animadas, meios-sorrisos e sorrisos-inteiros. Conhece caminhos, pegadas, corridas. Conhece muitos, imensos beijos, abraços, festinhas. Conhece canções, filmes, trabalhos. Jantares, almoços, lanches e ceias.
- "Conhece-te. Conhece-me." E nós a ela.
Alguém pôs uma história dentro de uma caixa. Afinal as histórias são as interpretações que restam de vivências não pacíficas. De coisas que nos acontecem e nos marcam. Sonho um dia poder contar esta história num livro. Não para que faça História mas para nunca me esquecer que assisti a ela da primeira fila, desde o primeiro dia.
Das histórias que se contam ficam breves memórias de grandiosos sentimentos e emoções que quase não couberam no corpo de tão grandes e fortes. O que interessa, sem sombra de dúvidas, não é relembrá-las, mas vivê-las.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Impotências

Quando vi o médico sair da sala do exame, temi as notícias. É incrível como, perante tão grandes emoções nos apercebemos tão fácil e rapidamente da nossa pequenez. Impotência.
Senti-a chorar, asssustada. Eu, preocupada, não podia fazer nada senão esperar que acordasse efectivamente. Os gritos. O choro. O gemido. As lágrimas. Tudo me fez crer o quanto sou pequena, mesmo para parar o sofrimento de uma pessoa da qual tanto gosto.
A espera pelo fim da anestesia foi longa e demasiado silenciosa. Chorei no corredor, nas escadas, num abraço ao meu pai, sentada na cadeira do quarto, encostada à Zoca enquanto subíamos as escadas. Sofri. Passou. Felizmente tudo correu bem. A minha Mi já está em casa. Não quero é usar a expressão "Pronta para outra!". Não a desejo mesmo. Causa-me repulsa.
Deixei-a quase em casa e dei comigo a fazer uma surpresa. Carro. Uma hora e meia. Comboio. Uma hora. Taxi. 15 minutos. A pé. 25.
A esperar não desesperei. Afinal, quem corre por gosto não cansa e decidi, apesar das oposições, vir despedir-me dele ao aeroporto.
Partiu para Paris cerca das 7e40 da manhã. Levou uma mala muito bem feita, uma mochila a abarrotar, um coração cheio de expectativas, ainda que visivelmente apertadinho pelo medo.
Vi-o sem pestanejar.
Estás em Paris e eu em Lisboa. Foste há cerca de doze horas e desejo que voltes a cada momento. Espero sinceramente que passe depressa.
Check-in, portas 21-23; embarque, porta 16. Excitação, medo, ansiedade, expectativa. Tudo aquilo que vi nos teus olhos deve ter-se reflectido também nos meus. Afinal partilhamos os mesmos anseios já lá vai muito tempo.
Estou a sofrer. Telefonaste desiludido. Triste. Não quero confessar que tinha pensado nisso. Afinal, quero que tenhas em mim uma fonte de confiança e de optimismo. Mas sofro, porque a distância acentua todos os medos que temos em comum. E daqui, não posso abraçar-te como faço sempre que te sinto triste, nervoso, angustiado. Ou simplesmente quando me apetece.
Não gostas da residência. Queria dizer-te que não é o fim do mundo. Que tens de ser forte. Que daqui a uns dias nem vais lembrar-te. Com isto não quero que sintas que não dou importância ao que sentes. Gostava que me sentisses sempre ao teu lado. Foi isso que te quis transmitir, sempre. Podes contar sempre comigo. Não reclamo para mim compreensão, calor, arrependimento. Quero que saibas que estou aí. Não aqui como de costume, mas aí, contigo. Sofro por não poder ligar, mandar mensagem, falar contigo na Internet nem poder ver-te. Sei que não sou a única. Por isso te digo aqui lindo...porque as alternativas que tenho são poucas e a única esperança que me resta é que te lembres de ler o meu blog. Neste momento é o máximo que posso fazer. Quero falar contigo, quero sentir em ti que acreditas que amanhã, no segundo dia, vai de certeza ser melhor. Anima-te... não te deixes ir abaixo. Sei que precisas...eu estou aqui. Não tenhas medo.

(Desculpa ter exposto tudo isto a quem quiser ler mas não aguentava mais. Beijo só para ti* DTDQSPT). Volta depressa.

terça-feira, janeiro 31, 2006



Coração nas mãos

O coração dela bate, bate, bate. O batimento é regrado, muito regular…pumpum, pumpum…
Aumenta quando o aparelho se aproxima. É um cone que tem na ponta uma esfera. É-me familiar desde que aquela pequenita nasceu e se tornou o ser mais importante da minha vida. Adoro-a tanto que nem eu mesma sei explicar e medir o quanto. Adoro-a desde que a vi…desde que a senti na barriga ondulante da minha mãe (desde aquela vez em que levantou a camisola que sujava sempre durante o almoço e vi uma onda, imaginei um bebé a pontapear as paredes do útero, a refilar connosco por não lhe darmos atenção)…desde que a imaginei.
Basta imaginá-la para sorrir, para sentir tudo de todas as maneiras. Saudades quando estou longe, alegria quando me faz rir, tristeza quando penso, ainda que num segundo, em perdê-la.
Esta distância que tento manter quando falo de alguém talvez seja apenas uma defesa para estes textos não parecerem apenas cartas dirigidas a um alguém determinado à partida.
Mas hoje é a ti, minha queridinha, que quero dedicar este humilde e sentido texto. Gostava de poder estar contigo aqui, ali, não interessa, num sítio qualquer. Gostava que te aninhasses como só tu sabes e me aquecesses a cama dez minutos antes de me deitar. Que me abraçasses e sentisse o teu coração, a tua pequena-grande coragem (porque és a mais corajosa que conheço) junto a mim.
Mas tu não estás aqui. E sinto o medo que te faz ter tiques. Porque és pequenina. Tens medo do escuro, medo de ficar sozinha, medo que te esqueçam, que não se lembrem, que não te dêem a atenção e o mimo que sei que (apesar de ser) nunca é demais.
Hoje estás com a mamã no hospital e a mana está aqui preocupada, a sofrer ao ver-te sofrer, quase a chorar por estares tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Claro que não é só por ti. Porque tenho a certeza que serás muito bem tratada e que tudo correrá bem. Mas só de pensar que num dia, muito muito longínquo te posso perder, dá-me vontade de correr para ti, dar-te beijos e passar o dia a abraçar-te, não te largar mais, e nunca mas nunca esquecer o cheirinho a bebé que todos aqueles que me conhecem têm conhecimento, só de me ouvir falar dele.
Adoro-te mais que demais…Mia. Não te preocupes (meu bebé para sempre)...a mana promete que vai correr tudo bem.

segunda-feira, janeiro 30, 2006



Mais um...

Este blog já me parece - o que dirão os meus leitores... - um cantinho publicitário. Mas a minha irmã Zoca não gostou da publicidade que dei ao blog do João e reclamou a promoção do seu espaço nestes modernos cantinhos de escrita. Quem quiser ler os textos que escreve, aceda ao seguinte blog: www.mitete.blogspot.com. (Agora um comentário à parte...ela ainda vive na ilusão de pensar que o meu blog-cujo-nome-ninguém-consegue-pronunciar-correctamente, é famoso!!Santa ingenuidade!!).

domingo, janeiro 22, 2006


Novo Blog...

Só para avisar todos os que acedem a este meu humilde e singelo blog, que o meu melhor irmão - e este elogio não é só por ele ser efectivamente o único - também aderiu a esta modita e criou o seu próprio espaço de escrita, divagação e crítica. Para aqueles que estiverem interessados em dar uma espreitadela, comentar ou simplesmente passar por lá e ver como é, aqui fica o endereço: www.chaimeoniu.blogspot.com

Costa Nova...a minha Velha Praia

Hoje fui à Costa Nova do Prado, a minha praia de eleição e onde volto sempre que posso. As casas às riscas, o cheiro a mar, o som das gaivotas, das ondas, as tripas com chocolate...tudo me é familiar. Muito.
Sempre que posso, sonho com uma casa, nessa praia, à beira-mar. Sempre que posso vou à praia, ver o mar, sentir a areia debaixo dos pés, ouvir o vento soprar baixinho e as ondas bater na areia e nas rochas do paredão.
Quando volto para casa, sonho com o regresso, com tudo aquilo que a Costa Nova já me trouxe, com todas as recordações que tenho desta praia, com tudo aquilo que penso vir ainda a viver nela.
Hoje na Costa Nova, tentei agarrar o sol...com o desejo de que possa aquecer os meus dias quando os sinto mais frios e mais cinzentos. Isto enquanto Agosto não chegar.

quarta-feira, janeiro 18, 2006


Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?

Agora que tudo acabou posso finalmente escrever, sentar-me, pensar, esclarecer-me, passar o lápis no papel...e escrever. Estou oficial e finalmente de férias!
Milhares de ideias passaram na minha cabeça e a única coisa que ficou (apercebo-me agora) foi essa sensação. Tudo o resto se foi com a vontade que tinha de o fazer. Refuto a minha "famosa" frase "Fechada para Balanço (porque não tenho tempo)". Não é disso que se trata (ou será que é?). A emergência dos pensamentos no cérebro, que me ligam directamente ao meu coração, afligem-me cada vez mais. Como os tremores de terra (do coração, quando te vejo).
Balança a minha alma. Ao longe caminhas na minha direcção, tudo pensado, duvidado e repensado, dissecado, como só tu sabes fazer.
Atravesso o corredor. Avalio. Tremor. Balanço: incerto. Turvam os olhos, o batimento acelera. Músculo que nunca se cansa.
É difícil, impossível recordar tudo aquilo que faz parte dos meus dias, aquilo que marcou os meus anos. É importante lembrar os grandes momentos, aqueles que ninguém esquece, mas também aqueles que teimam em aparecer nos mais íntimo dos pensamentos, por mais pequenos que sejam. Aparecem porque significaram muito mais do que aquilo que poderia suspeitar.
O último ano foi cheio de tudo. Há para todos os gostos. Quando estou bem disposta, triste, nervosa, totó, apaixonada, derretida, enciumada, impaciente, mal educada, simpática, má, egoísta, (in)flexível. Cada um é um misto de tudo e de coisa nenhuma.
Queria falar de tudo. Descrever com a mesma frescura, os mesmos pormenores, a mesma nitidez, tudo aquilo que me fizeram ver, sentir, experimentar. A frescura de uma brisa à beira-mar, o calor do fim de um dia de Verão, a suavidade de um “edredon” numa madrugada de Dezembro, o disparo de uma máquina que capta o momento e faz o tempo parar, o toque de uma chamada ansiada, o murmúrio de um “Adoro-te” dito-não-dito, o silêncio de um abraço, o bater de um coração. Tremor. Vejo o teu peito tremer. Aquilo que mais ninguém vê porque insisto em esconder com medo que desapareça. Sinto-o tão plenamente como se fosse agora.
Preciso viver para recordar aquilo que está nas entranhas, o que não vi, o que não quis ver, aquilo a que fechei os olhos. As histórias devem ser contadas como as notícias, no momento. Porque o tempo passa e o sentimento, por mais perene que seja, altera-se. Pensa-se e altera-se. Repensa-se e altera-se. E depois as histórias nunca são o reflexo exacto daquilo que foram realmente, o relato nunca é igual àquilo que se sentiu.
Os 21 atraiçoam-me. Os dias confundem a memória que se dissemina, se difunde e se perde em todas as palavras ditas e em todos os olhares lançados.
Temo não me lembrar já de todos os sentimentos – claro que não – que me invadiram durante este ano. Durante o mês que passou. Nem mesmo os do dia de ontem. Lembro-me que todas as experiências são coisas irrepetíveis e intransmissíveis e por isso não vale a pena tentar fazer perceber aquilo que sinto. Vê-se nos olhos. Nas palavras. Naquilo que sussurras e que pensas que de tão baixo, eu não ouvi. Nos 21 que me atraiçoam. Nos tremores de terra.
A terra tremeu outra vez. Várias vezes. Disseram-me. Ao que parece em dias diferentes mas horas iguais. É sempre à mesma hora. Uma. A primeira hora do dia. Parece que o dia começa quando a terra treme.
Legítimo?Como só tu sabes...sinto falta...e mais não digo.

sexta-feira, janeiro 13, 2006


Tempo voa...

Não tenho tido tempo.
Não tenho mesmo.
Aconteceram tantas coisas, a vontade de escrever é tanta e não tenho tempo. Pode parecer mentira mas não tenho mesmo. "O tempo urge e o círculo não é redondo". Grande máxima para quem o tempo é tão importante e para quem se preocupa tanto em aproveitá-lo ao máximo. Planos, horas, momentos, sonhos. Os dias sucedem-se e o tempo não pára... Não pára mesmo."Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui.". Milésimos, segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos. 21 anos. (Que depressão!!). Que faço eu aqui? A urgência de ter que fazer arrepia-me quando penso no pouco tempo que tenho. Dia, noite, dia, noite, passam, como o tique-taque do relógio que não me deixa adormecer."Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes."Lembro os momentos, os instantes, tudo aquilo que senti. Flashes de recordações que aparecem sem pensar, sem querer, sem tempo para mais. Respiro. Apago a luz. Fecho os olhos. Penso. O tempo pára para mim. Adormeço. Toca, toca, toca, toca-me. Acordo.
Mas o tempo não parou. "Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive". Nunca pára.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Sonho...Poesia.

“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”

Sinto muitas, demasiadas vezes que tenho em mim todos os sonhos do mundo. Crio em mim a ilusão de que é possível sonhar o todo como sendo totalmente acessível, fazendo recurso apenas ao pensamento. Pensar sem agir é, mais do que um desespero de quem o percepciona, de quem se apercebe de que é mesmo assim, pura poesia.
Outra vez, mais uma vez, para sempre…Fernando Pessoa.

“Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já
É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.

O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.
És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.”

sábado, dezembro 10, 2005


Brincar aos jornalistas

De início era um sonho. Dar notícias, escrever, intervir socialmente, proclamar os ideais de liberdade e justiça indiscriminadamente, mudar o mundo...
Estava no décimo ano e toda a força deste sonho fez com que, apesar de outros sonhos que teimei ignorar, seguisse este caminho que pensava mais fácil e muito menos sinuoso.
Não porque goste de caminhos fáceis – de todo! – mas porque o julgava, efectivamente menos difícil e sofrido do que, por exemplo, seguir o sonho da dança.
A entrada na universidade marca uma nova fase na minha vida, mas leva-me a questionar muito rapidamente a escolha feita: a vocação que julguei ter e me parece agora duvidosa, os idealismos que desaparecem num ápice, o medo do mercado de trabalho caótico que se aproxima a passos largos e sem avisar.
Este ano, apesar do número imenso de trabalhos a entregar em muito pouco tempo, tem sido muito mais interessante. Reportagens, gravações, fotografias, entrevistas, apresentações, revistas. É o renascer de um sonho que parecia, há bem pouco tempo, quase destroçado por tantas chamadas de atenção, notas baixas e faltas de interesse e reconhecimento de um trabalho dedicado.

Ontem fomos à SIC. Foi óptimo sentir o ambiente (como diz a Deb), sentir a frescura de cada notícia, o brilho do jornalismo no seu expoente máximo, a paixão por dar notícias. Talvez esse brilho esteja efectivamente mais nos meus olhos e nos de quem esteve comigo e se espelhasse nos olhos do jornalista Paulo Nogueira (afável, disponível, jornalista há 22 anos) e nos de tantos outros que se cruzaram connosco na régie (não sei se se escreve assim).
Sei no entanto, apesar das dúvidas que permanecem ainda (e ainda bem) que foi, uma manhã incrível. Para mim, para a Débora, a Catarina, a Raquel e para todas aquelas amigas a quem vamos contar todos os pormenores da visita: como nos sentámos na cadeira da pivot da SIC Notícias, como nos gozaram por estarmos a tirar fotografias, como nos acolheram, como nos encantou olhar para os computadores e ver "montar" o alinhamento do jornal das 11, como falaram connosco e nos explicaram o quão stressante é a vida de um jornalista, como nos ouviram nas nossas angústias de faltas de respostas, de tempo e de interesse, como lanchámos no bar, entrámos na SIC, saímos da SIC, "pequenalmoçámos" no bar da SIC, como vimos a Clara de Sousa, como o vimos, o sentimos, o amámos.
Mais ainda: que marcou o (re)nascer na minha esperança de me tornar, um dia, uma grande jornalista.

segunda-feira, novembro 28, 2005

O Trinta e Um


Acabei de tomar banho. Uma chuveirada não planeada mas que veio mesmo a calhar. Antes disso vi a minha osga de estimação, minha vizinha. Passo a explicar: dei por ela há dois ou três dias. Não mede mais que quatro centímetros, a minha osguinha. Vive de um lado para o outro do terceiro degrau do segundo lance de escadas do prédio onde moro, a contar de cima. Podem encontrá-la lá, a tentar fugir dos pés que, muito maiores que ela, teimam em passar – cima, baixo, cima, baixo, cima, baixo. Quando me vê a aproximar, insiste em passar do lado do degrau que está, para o outro lado, não vá eu deixar de a ver. É uma provocadora.

Mas passemos à história propriamente dita.
Desde que vim para Lisboa que não gosto muito de andar de autocarro. A antipatia não tem a ver com os autocarros propriamente ditos – o mal que poupam ao meio ambiente (penso eu) compensa o estado em que alguns desses belos exemplares se encontram – são praticamente relíquias, quase peças de museu…alguns até elementos constituintes de um qualquer ferro-velho.
Pois bem…não gosto de andar de autocarro sobretudo por causa dos condutores, senhores motoristas de autocarro (esta observação vem a propósito de outros condutores com os quais ainda simpatizo menos – houve um, uma vez, que me obrigou a tratá-lo por senhor motorista de táxi).
Só que hoje alterei a minha visão acerca destes senhores e percebi, mais uma vez, que não devo, nunca, generalizar e pensar que por dez ou vinte "exemplares" serem de uma determinada maneira, isso não quer dizer que sejam todos assim. Acredito que não há regra sem excepção.
Jantei fora, sozinha. Sopa e salada de frutas. A mando da minha nutricionista que disse que acha que eu assim vou “emagrecer imenso”…quanto a isso, vamos esperar para ver.
Desde manhã cedo que o céu estava negro mas eu não ia adivinhar que ia pôr-se a chover torrencialmente logo na altura em que eu saí do El Corte Inglês para ir para casa… a pé.
Não que seja longe…não é. Mas também não são só dois ou três minutos. São dez, doze ou treze, a andar depressa. Pois. Foi na altura em que eu passei a Gulbenkian que começou a chover mais. Mesmo muito. Comecei a sentir a chuva na cara, no cabelo, no casaco, nas botas, nas calças, a sentir os pés primeiro húmidos, depois frios, molhados, encharcados.
Atravessei a primeira passadeira sem esperar porque o sinal já estava verde. Senti a chuva mais perto enquanto esperava pelo segundo. Mais ainda na espera pelo terceiro. Corri depois em direcção a casa. O 31 estava parado na Praça de Espanha. Parei na paragem para me abrigar. O condutor estava sozinho. Olhei. Entrei. Disse boa noite. O cumprimento foi-me devolvido. Paguei. Sentei-me. Comentei a grande molha que tinha apanhado. Estava toda molhada, o cabelo a escorrer água, a sensação de liberdade à flor da pele, a vontade de sair do autocarro e continuar o caminho a pé. Perguntou-me se não tinha chapéu e à minha resposta negativa disse que só precisava de por detergente na roupa, já que a água, essa era dispensável. Comentou que se a chuva continuasse assim, os bombeiros da Baixa entrariam em serviço passados dez minutos. Enumerou uma séria de zonas de Lisboa que fariam escorrer as águas directamente para a Baixa da cidade, com a agravante da proximidade do rio.
Seguiu por Sete Rios. Em frente ao Jardim Zoológico entraram 5 pessoas. Duas mulheres comentavam a importância da chuva (“Há pessoas que não gostam mas ela é importante para tudo”, dizia uma). Outras duas riam por uma delas não encontrar o passe na carteira e por outra conseguir que o passe passasse através da carteira, sendo esta tão grossa. Já todos conheciam o motorista.

Eu não. Nem ele a mim.

Entrámos na rua das Laranjeiras. À entrada da minha rua perguntou-me em que número ficava. Achei de uma enorme amabilidade, agradeci mas recusei a oferta. Perguntou-me se era antes ou depois do viaduto. Disse-lhe que depois, mas que era tão perto da paragem que não havia problema de ir a pé. Insistiu. Parou mesmo em frente ao 43. As portas abriram-se e senti-me uma princesa. É incrível como existem pessoas tão especiais neste mundo às vezes tão cruel, que nos fazem sentir princesas nos mesmos dias em que sentimos as gotas de chuva a cair-nos na cara.

quinta-feira, novembro 10, 2005


Agora...Adeus.


Não sei se conseguirei dizer tão bem aquilo que Eugénio de Andrade diz melhor...
Foi Adeus...
Agora...
Hoje...
Aqui...
Ali...
Depois...
De sempre...
Para sempre...
Adeus.

Racionalizar tudo aquilo que se sente termina assim. Num adeus. Mais profundo. Mais intenso. Mais melancólico. Mais livre. Mais certo. Mais fulminante. Mais ADEUS...
Eras (tu). Foi (assim). Vai passar.

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisa fossem minhas:
quanto mais te dava, mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: "meu amor"
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.


Aqui e agora penso em ti. Adeus.

sexta-feira, outubro 28, 2005

A cabeça e o Universo
Pessoa disse "Dói-me a cabeça e o Universo". Adoro a frase. Acho Pessoa o poeta perfeito. Tudo é lindo nos versos, sublime na sonoridade, sombrio e iluminado nos sentimentos.

A vontade de fazer, a obrigação de cumprir, a urgência dos prazos, o stress das horas, tudo me faz pensar no caos que Fernando Pessoa vivia quando falava nas duras dores de cabeça e de Universo. O misto de sensações experienciadas todos os dias revelam a fragilidade e a urgência da vida. De a viver.
A pressa com que os dias passam, a quantidade de coisas a fazer, a organização quase infalível do tempo fazem com que o nosso Universo sucumba ao cansaço e nos faça pensar naquilo que nos é essencial. Naquilo que nos faz acordar de manhã. Naquilo que nos preenche. Nos completa. Nos constrói. Nos liberta ou nos prende. No que é realmente importante. No que nos faz pensar. Naquilo que provoca dores intensas de universo.
E os dias passam...

Há dias em que acordamos, pensamos, comemos, falamos, estamos, rimos, choramos e não fazemos rigorosamente nada. As preocupações desaparecem, o dia passa a correr e a noite aparece sem avisar.
Esta semana tive um dia assim...
Acordei tarde. Bastante tarde para aquilo que é costume. Fiz coisas normais. Normalíssimas. Coisas que toda a gente faz, todos os dias, sem dar a mínima importância nem se aperceber. São feitas na correria dos dias, na urgência das horas, na pressão dos momentos. Mas houve sempre no ar uma sensação de completude, uma consciência de que tudo aquilo que não fiz foi muito mais do que tudo o que estou habituada a fazer.

Há pessoas que nos fazem sentir que os dias mais normais são ao mesmo tempo os mais especiais de todos. E fazem-nos crer que mesmo que não façamos nada, um dia assim pode ser do mais completo que há. Do mais compensador que existe. Do mais forte que se possa sequer imaginar.

segunda-feira, outubro 03, 2005


Praxes...porque sim?


Todos os anos, por esta altura, há uma grande confusão na Faculdade. À parte das dúvidas do local do bar, das casas de banho e das salas de aula (porque nos primeiros dia, nenhum caloiro quer chegar atrasado), reina a alegria em todo o lado.
Ao contrário do que se pode pensar, os caloiros não andam perdidos...os olhares são antes de curiosidade, de encantamento, por um dia tão importante ter chegado (ainda que parecesse devagar há uns meses) tão depressa.
Antes de vir para a Universidade nunca praxei. Achava uma estupidez as "judiarias" que algumas pessoas eram capazes de fazer a outros alunos que chegavam a uma escola nova e só queriam sentir-se em casa. Há brincadeiras que mais vale não se fazerem, ou corre-se o risco de fazer com que um novo colega deseje voltar à antiga escola, esconder-se de todos e impossibilite a sua integração num lugar em que era suposto sentir-se bem e onde se pretende que cresça.

Só que as praxes na FCSH não são assim e por isso mudei de táctica e participo. Participo porque é importante que os novos colegas sintam que o esforço que fizeram é recompensado e que entendam a Universidade como uma nova escola onde irão fazer grandes amigos e onde se vão sentir quase em casa.

Num dos dias da praxe, que dura uma semana, é costume ir-se a uma casa onde vivem pessoas com vários tipos de deficiência. E é impressionante dizer aquilo que vê quando se lá entra pela primeira vez.

Quando eu era caloira, fomos todos em fila indiana, cada um a tapar os olhos do colega da frente, em direcção à tal casa. Quando chegámos, mandaram-nos sentar e continuar com os olhos tapados (expectantes pela surpresa). Ao som de um podem abrir que mais parece um apito que dá início a uma corrida, vemos várias pessoas a aproximarem-se de nós com um fascínio de quem vê algo maravilhoso pela primeira vez...é engraçado perceber como coisas tão pequenas para nós, como deixarmo-nos pintar com batons, sombras e brilhos podem significar tanto para outras pessoas e perceber que nessa manhã ou nessa tarde (nesses ínfimos minutos que nos deixamos encher de cores e brilhos), não são eles, mas nós que ganhámos o dia.

Este ano, mais uma vez, revivi este momento; e é com um certo receio que o descrevo aqui, já que é impossível contar por palavras aquilo que enche o ar naquela casa: é alegria, paixão, dedicação, esforço, sabedoria e ingenuidade. É um misto de sentimentos que nos é segredado ao ouvido e cuja presença só se percebe através dos sorrisos que enchem o dia de sol. Para o ano irei outra vez desfrutar deste momento (possivelmente pela última vez) mas com a certeza de que nunca irá desaparecer a sensação de plenitude (apesar da estranheza de alguns, num primeiro contacto). Essa ficará para sempre na memória de todos os que já foram ou serão caloiros de Ciências da Comunicação na Nova.

domingo, outubro 02, 2005

:)Espiar...

Perguntaram-me o que queria dizer "miamespia". À parte de todas as especulações, de uns e de outros, em relação à junção das duas palavras (que se desfazem quando vêem o "subtítulo" do blog - este, já com as palavras devidamente separadas - passo a explicar, "tintim por tintim" aquilo que me levou a escrever segundo este "nome"). Mas antes quero recordar a tentativa frustrada de um amigo que leu da seguinte maneira "Miam espia": "Mia me espia"!!!???Será que pensou que eu o andava a espiar???!!

Ao primeiro contacto com o site dos blogues, depois de ler um post de uma amiga muito amiga, pediram-me que me fizesse identificar com um username. Como não percebo nada de tecnologias, não havia meio de conseguir introduzir um nome correcto, uma vez que (como mais tarde vim a saber) era necessário que os caracteres que fossem utilizados fossem letras e números!!! Quando tempo mais eu demoraria a decifrar esta charada?? Tantam!! Para meu bem tinha o Poisson ao meu lado, que me sugeriu que pusesse "Mariana007" como username. Se ele não estivesse comigo, provavelmente não teria este blog.
Mas adiante...

A parte da espia já se percebeu, veio do 007 e também, numa generosa analogia, relacionada com o facto de observar, descrever, ESPIAR o mundo!

Quanto à parte da "Miam" é apenas (e sobretudo) um nome que o meu tio-avô me chamava quando eu era pequena (e ele ainda cá estava) e que me faz sentir, de cada vez que a leio ou que alguém a pronuncia, uma imensa saudade dele e de todos aqueles que me conheceram e continuam a espiar-me, do lugar onde estão (ou como diz a Susana Tamaro, "de um país para lá do azul do Céu").