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segunda-feira, dezembro 18, 2006


Alimentar passaros


As maos, envelhecidas e amareladas pelo tempo, eram testumunho dos anos idos em que trabalhava na fabrica de tijolos, nos arredores da grande cidade. Foram tempos dificeis esses. A mulher e os tres filhos pequenos recebiam-no de bracos abertos, mesmo que o dinheiro tardasse para pagar as contas acumuladas na mercearia da rua.
A saida, fazia-a ainda de noite, quando todos dormiam. E as maos, aquecidas no caminho, uma contra a outra, eram a sua companhia, bem como os pensamentos. Pensava no momento em que voltaria para casa para os abracar e saber do que tinham feito durante o dia. A sua princesa, acendia o fogao de sala improvisado que aquecia os pequenitos. Mas eram, sem duvida as conversas sobre os dias que aqueciam os coracoes. O poder dos olhares era tanto que nada o igualava. E trocavam ideias, pensamentos, segredos que mais ninguem sabia. Eram pessoais e exclusivos do nucleo familiar.
Depois de parar de trabalhar, os dias encheram-se mais desses pequenos momentos, ainda que os pequenos se tenham convertido em grandes e abandonado temporariamnete a casa paterna. As dificuldades nao sao agora tanto as economicas mas as de encontro. Agora quando chega ja nao tem princesa e tres principezinhos a espera. A princesa esta, efectivamente, agora mais velha e casmurra, mas preserva o sorriso que o fascinou e as preocupacoes que sempre a caracterizaram. E continua a acender a lareira para que as maos dadas se aquecam depressa.
Quanto aos pequenotes seguiram a sua vida (como tem de ser). Alem das frequentes visitas (ja que, por sorte, vivem perto), conservam a alegria e a forca da juventude, que ajuda a encarar cada dia como algo totalmente novo.

Ele, caminha pelo parque. Solitario, pisa as folhas caidas e amareladas do Outono. Sao esses os seus dias. Alimentar passaros. Encontrei-o ontem com a alegria que, creio, foi sempre sua. Queriamos tirar uma fotografia a retratar o seu "oficio". Disse, como quem esta convencido de que tem razao, que a "fotografia perfeita" seria comigo a alimenta-los, eu mesma.
Como sempre, temi pela impressao que o pequenitos pudessem provocar na minha mao; qualquer movimento repentino da minha parte poderia ser fatal.
Por outro lado, nao queria perder a oportunidade. Aproximei-me. Pareceu-me um momento eterno, aquele. Daqueles que nunca mais se repetem e, no entanto, prevalecem.

Eu tambem ja alimentei passaros.

sábado, novembro 18, 2006


Fumava uns cigarros atràs dos outros. O fumo, segregado pelos làbios, deixava um doce cheiro no ar. De dia, fumava-os rapidamente, à entrada dos cafés, das livrarias, das lojas de musica. Nas esplanadas, tentava afastar-se de quem nao o fazia. Mas de noite, os cigarros eram a companhia das noites frias, e ela sabia-o. Escrevia poesia enquanto os agarrava entre os dedos da mao esquerda. O s dedos, amarelados pelo vicio, eram testemunho das noites sem dormir e dos dias a correr, passados entre os dois trabalhos que o dividiam.
Mas à noite, era diferente. A luz vaga do candeeiro na mesa ao fundo do quarto, iluminava pouco as caras e deixava a imaginacao trabalhar. Quando batiam à porta, ele sabia quem era so pela maneira como os dedos assentavam na madeira clara e oca. Nem precisava de dizer-lhe que entrasse. A vontade era maior que tudo e apressava-se a perguntar como tinha corrido o dia. Respondia-lhe apressada que, « -Bem ! » e aproximava os labios da testa dele, dava-lhe um beijo e dizia-lhe « Até amanha ».
O jogo comecava. Ela dizia que nao num compasso calculado entre a ficcao e a realidade. Dava razoes mais que plausiveis para serem felizes para sempre. Acreditava e fazia-o crer tambem.
O cigarro dava calor quando ela saia a meio da noite sem avisar e o deixava acordar com a ideia de que tinha sido tudo um sonho. Os làbios rosados nos ombros descobertos sentiam a pele macia e arrepiavam-na sempre. Ela suspirava com vontade de o abracar mas deixava-se embalar por aquele toque carinhoso.
-Amas-me?
-Claro. Sabes que sim.
Pegou no cigarro e deu uma passa profunda. Partilharam o mesmo cigarro e deixaram-se contemplar um pelo outro. Afinal, ela sempre achou que partilhar um cigarro era das coisas mais romanticas.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Num milesimo de segundo
E quando ela, la ao longe, o viu dizer Adeus, pegou nas forcas que lhe restavam e gritou:
-Quero que toda a gente saiba que te amo!

Depois caiu exausta no chao frio da rua e sentiu-se morrer.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Era sempre da mesma maneira. Acordava quando o sol se punha e com ele nascia todos os dias. As piadas nunca eram as mesmas e os pensamentos sobre ela eram recorrentes. Uma vez, cairam os dois à entrada daquela igreja alta e familiar, naquele largo onde tantas vezes se despediram. Sorriram e ficaram imoveis a espera que o momento ficasse para sempre. Ele dizia que tinha a sensacão que era sempre ele que dizia adeus e ela queria dizer-lhe que não mas também o sentia. Ficavam montes de vezes a olhar um para o outro e as conversas eram tão envolventes que conseguiam que se passassem horas sem que nunca um assunto fosse repetido. Sorriam juntos e cada um no seu mundo, quando, no balanco do dia, desejavam estar juntos.
Ele pedia-lhe muitas vezes para dancar no meio da rua. E nessas alturas criavam um mundo so deles e nao davam pelos olhares e sorrisos dos outros que passavam (e passavam mesmo). Quando as cartas comecaram a ser assiduas, ela achou que estava apaixonada. Ai, tudo aquilo que pensava se desvaneceu. A fortaleza edificada dissipava-se a cada abraco, a cada sorriso, a cada beijo, a cada toque de maos. E quando ele desapareceu naquele segundo em que o despertador tocou, ela continuou a sonhar com ele.

terça-feira, outubro 31, 2006


As nossas cores


Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodovar
Cores de Frida Kalo
Cores

Passeio pelo escuro
Eu presto muito atenção no que o meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um carro
Uma casca
Uma cápsula protectora

Ai eu quero chegar antes
Para finalizar
O estado de cada coisa
Filtrar seus graus

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Dos meninos que têm fome

Pela janela do carro
Pela janela do quarto
Pela tela
Pela janela
Quem é ela
Quem é ela
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Escolho meu modo
Me mostro
Eu canto:
Para quem?

Pela janela do carro
Pela janela do quarto
Pela tela
Pela janela
Quem é ela
Quem é ela
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo
E meus amigos? Cadê?
Minha alegria?
Meu cansaço?
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado!
Pela janela do carro
Pela janela do quarto
Pela tela
Pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle
nãnãnã...nãrãnãnã...

Adriana Calcanhoto



("Nem sei ao certo se a letra está certa"...só sinto muito as saudades destas noites em que ficamos, com toda a serenidade e alegria do mundo, a conhecer-nos melhor. E é nestas noites que o mundo parece estar aos nossos pés e todas as cores têm o sabor da amizade mais forte e mais pura do Mundo.)

quinta-feira, outubro 26, 2006


Que me dizes a um Erasmus a copo?
(irresistìvel...)

terça-feira, outubro 24, 2006

Pessoa: do Lat. persona, s. f., ser ou criatura da espécie humana; ser moral ou jurídico; personagem; individualidade.

Pessoas lindas
Pessoas estranhas
Pessoas simpàticas
Pessoas tìmidas
Pessoas que nos dizem muito
Pessoas a quem nao somos nada
Pessoas especiais
Pessoas desafinadas
Pessoas desajeitadas
Pessoas que gritam
Pessoas que choram
Pessoas que se defendem
Pessoas inteiras
Pessoas em construcao
Pessoas crescidas
Pessoas pequeninas
Projectos de pessoas
Pessoas boas
Pessoas màs
Pessoas alegres
Pessoas sem vergonha na cara
Pessoas corajosas
Pessoas destemidas
Pessoas aventureiras
Pessoas que sabem
Pessoas que nao fazem ideia
Pessoas presentes
E pessoas que nunca estao
Pessoas fortes
Pessoas friorentas
Pessoas caladas
Pessoas altas
Pessoas baixas
Pessoas que pensam alto
Pessoas que nao chegam aos calcanhares
Pessoas futuristas
Pessoas tal qual sao
Pessoas assim.
Tudo Pessoas.

domingo, outubro 22, 2006

Imagens Reais

O horror, o drama, a tragédia!!!
Madrid, a movida e a aventura Erasmus...tudo junto...agora em imagens!!!

(é isso mesmo...criei o meu proprio fotolog...durante Erasmus hà mais uma oportunidade para saberem da minha vida...agora com ilustracao!!!)

www.fotolog.com/mianocas

Visitem e comentem!!!

sexta-feira, outubro 20, 2006

Inverno

Custa-me abrir os olhos de manha...olho pela janela e vejo tudo escuro. E é impossivel perceber o que se passa na rua através da janela, impossivel saber o que vestir, se esta frio, se esta calor, se chove...

Os olhos ardem-me e depreendo que seja pela impossibilidade de adaptacao à luz...ardem-me tanto...
Hà vida nesta cidade pela quantidade infindàvel de vezes que consigo ouvir a sirene de ambulancias ou bombeiros na enorme avenida onde moro; fica mesmo junto a uma grande rotunda que faz a ligacao entre quatro caminhos...é assim que se chama: Quatro Caminhos. Alguma vez tive quatro caminhos a escolher? Normalmente, creio, sao apenas dois...nem sei se seria mais fàcil escolher entre quatro...seriam...este, aquele, o outro e o outro...nem poderia estar perante um dilema..senao um grande dilema...melhor...um quadrilema.

Pois é, para sorte ou azar calhou logo viver em Quatro Caminhos...para o melhor e para o pior...como estes textos que escrevo.

Desde que aqui estou que nao me surgem grandes temas para alem da propria da experiencia que ando a viver. Tudo o que vem a cabeca esta relacionado com ERASMUS; é inevitàvel que se fale disto e nao consigo evitar pensà-lo em palavras. O pior é que dessa pasagem para a escrita sobra muito pouco e parece-me tudo tao limitado...tao sem sumo?!!

Acordo. Destapo-me. Ponho os pés mornos no chao branco e frio. Espreito pela janela e nao vejo nada. Olho, tento ver para além do vidro e para alem dos sons que ja me invadiram os ouvidos desde o primeiro momento. E de repente é hora de despachar. Hora de correr, de apanhar o metro. De pensamentos matinais. De observacoes a olho nu de uma realidade com a qual tantas vezes jà me identifico e outras tantas me causa repulsa, desalento e tristeza. E tento perceber as palavras. E corro para apanhar o semàforo verde quando jà pisca.
Respiro este ar. Bebo palavras, atitudes, caras e expressoes quotidianas de tanta gente com que me cruzo diariamente. Volto a casa e espero ansiosamente. E sinto-me, às vezes, tao mais vazia do que gostaria...

terça-feira, outubro 03, 2006

Já te tinha visto antes sem dar por ti.
Tinha-te imaginado sem te conhecer.
Sonhei contigo. Noites e noites. E noites.
E sorri tantas vezes a lembrar-me das tuas graças.
E no mais íntimo do meu ser, sinto-te dentro das entranhas da minha alma. Em cada bocadinho do que sou eu.
E é sempre tudo tao especial. Tao quente. Tao solarengo. Tao mágico. Tao nosso, nao é?

E depois colaste-te. Colei-te. Deixei-te ficar. Quis sempre que ficasses.
Gosto. Gosto muito. Adoro. Adoro mesmo. Gosto de adorar gostar de ti.
AQUI


Aqui nunca fica de noite.
Aqui o metro é caótico, o ar pesado, todos se atropelam e falam ao mesmo tempo. E sempre alto.
Aqui faz muito calor...e dizem...também muito frio.
Aqui as pessoas sao diferentes umas das outras. Há pessoas de muitas nacionalidades que falam muitas línguas e riem e choram e gritam de maneiras distintas.
Aqui quase todas as "chicas" têm piercings na boca.
Aqui todas se pintam, de noite e de dia.
Aqui todos os dias, ao fim da tarde, as ruas enchem.
Aqui há barulho na rua e feiras ao Domingo e velhinhos à conversa sentados nos bancos das praças e tapas caras e miúdos a correr pelos jardins quando o calor de Verao amaina.
Aqui o movimento é intenso.
Aqui os cheiros misturam-se, ouvem-se gargalhadas e vêem-se sorrisos e amigos aos abraços e namorados de maos dadas,
Beijos apaixonados e sorrisos cúplices.
Aqui os prédios sao altos e escuros e nao se percebe., da janela, o tempo que está.
Aqui as praças sao amplas e o sol ilumina as caras e os corpos.
Aqui tudo é novo.
Aqui por isso, tudo é estranho.
Apesar de já ter cheirado, sentido, ouvido, visto e imaginado.
Aqui. Isto aqui.
Aqui.

segunda-feira, outubro 02, 2006


Quando?

sábado, setembro 09, 2006

Lo importante es volver


O calor aperta. Num Verao qualquer eu nao estaria aqui. As marcas brancas da estrada passam por mim a toda a velocidade e o desconhecido aproxima-se a um ritmo galopante. Alucinante. Desesperadamente assustador. O vidro aberto balança os cabelos mas nao refresca. O ar está quente, seco. Tenho as maos quentes. A garganta seca. A cabeça cheia. Gosto de memórias. Gosto de recordaçoes. Do passado. Gosto de saudades. E já as tenho. Elas nao me largam.
Um placard luminoso na autoestrada. Lo importante es volver. Sei que faz parte de uma campanha publicitária qualquer. Para se ter cuidado. Para se conduzir com prudência.
Para mim é muito mais. É um pedido. Uma lembrança. Um sinal.

Um desejo.
Desejo rever-vos o mais rápido possível. Quero Erasmus. Quero ainda mais voltar. Quero sentir-vos. Quero ter-vos. Quero saber-vos aqui, ali, lá comigo. Onde for. "Para o Infinito e mais além". Como no Toy Story. Tenho Saudades.
Isso mesmo. Permito-me alterar o sentido do sinal. Do aviso. Do desejo. Da brincadeira. Lo importante es ir. Y despuès volver.

sábado, julho 22, 2006

Para o Avo Jú, com todo o carinho e saudade que sinto dele.
É impossível passar indiferente pelos momentos, pelas memórias, pelas fotografias.
As lembranças percorrem-nos a cada palavra, a cada lágrima, a cada pensamento.
É impossível não lamentar a situação,
Impossível não sofrer.
É impossível esquecer o Avo Jú,
Impossível pensar que é o fim porque, acredito,
É impossível o avo caber apenas no caixão onde o corpo descansa,
Impossível descreve-lo, caracterizá-lo tal qual ele é.
Porque é muito mais do que o corpo que pereceu.
É o amigo de todas as horas,
O marido, o pai e avo exemplar.
Além disso, é o Homem,
Humilde, sério, correcto
Sempre tão dedicado e tão orgulhoso,
Tão carinhoso e sincero.
Impossível é que fique para sempre longe;
Porque agora está mais perto de todos,
Bem dentro de cada um de nós, onde vai ficar para sempre.
19.06.2006

quinta-feira, julho 06, 2006


Treinadora de Bancada

O que eu gostava mesmo era...

...que o Ricardo Carvalho não tivesse posto o pé;
...que o Nuno Gomes tivesse entrado em vez do Postiga ou que houvesse 4 substituições;
...que o tempo pudesse voltar atrás e pudessemos marcar uns e evitar outros.

A inevitabilidade do tempo é uma coisa tramada...quase sempre. E às vezes são os melhores que perdem! E o melhor foste tu, Portugal! Parabéns!

quarta-feira, junho 21, 2006

A.M.O.T.E.

O meu sol não é o que ilumina o teu dia.
Nem a tua lua é a mesma que transfigura a minha noite.
Buscamos complementaridades de maneiras tão diferentes que não as encontramos.
A subtileza e a evidência contrastam tão intimamente que se substituem em simultâneo sem darmos por isso.
A urgência de to mostrar motiva o que te digo sempre. Para ver se um dia tu paras de pensar que não...
E acreditas

segunda-feira, maio 29, 2006

Fui

Queria guardar tudo. O reencontro, os momentos, os sorrisos, os passos, os abraços. Queria ter na minha cabeça imagens, fotografias, sons, inspirações e expirações.
Queria recordar tudo sem ter de pensar, as ideias deviam vir simpes e espontaneamente à minha cabeça e dançar num compasso livre e disperso, como ela quisessem, sem constrangimentos e sem segundas intenções.
Queria ter coragem de embarcar nessa aventura, voar, pousar, sentir, aderir, compreender, perceber, ver, reflectir, pensar, concluir.
Imaginava tudo tão difuso, tão nebulado. Queria atitude, coragem, dedicação. Eliminei o conformismo, cedi à vontade, à grande vontade. Respirei, ganhei coragem, acreditei e fui.
Adorei.
Pode não ser grande passo para todos os que não o vêem assim. Para mim foi desafiar-me a mim mesma e à minha coragem, tantas vezes de garganta...acho que me fiz crescer.

terça-feira, abril 25, 2006

Inspira(-me)

Aqui, neste frio de fim de tarde/princípio de noite, falta-me a inspiração. Falta-me a memória daquelas coisas que me lembro enquanto ando na rua, do que penso quando me cruzo com quem quer que seja, ou daquilo que gostaria de escrever se tivesse papel quando vejo aquelas coisas que me comovem ou que me chocam ou que pedem de mim uma intervenção (aquela que penso feita à minha maneira).
E vivo assim nesta incostância minada, umas vezes pela vontade de escrever e outras pela frustração de não me lembrar o quê.
A substância é muitas vezes aquilo que me falta nestes dias que me perseguem como se o amanhã nunca mais chegasse. E por mais que me deite e teime em deixar a portada entreaberta para acordar sem despertador, parece que o novo dia que chega é sempre igual. As pessoas as mesmas, as acções automatizadas e as obrigações mais do que instituídas.
E penso que já não me lembro bem daquilo que pensei ontem precisar de escrever. Parece um paradoxo. Não sei precisar aquilo que preciso de escrever.
E o passar dos dias só é uma confirmação disto que sinto.

quinta-feira, abril 20, 2006

Num Meio de Minuto...

Tenho tantas saudades tuas.

terça-feira, março 14, 2006

Dias Exemplares

São três histórias. Sempre três personagens. Uma Mulher. Um Homem. E uma Criança. As vidas cruzam-se como na vida real. Em três tempos diferentes. Passado. Presente. Futuro. Nesses três tempos, sem nos darmos conta, somos transportados como se quiséssemos ir, como se a eles pertencessemos. Em comum têm apenas uma tigela. E mais importante que isso, a poesia de Walt Whitman. Um poema, "Folhas de Erva", que se torna, sem darmos conta, o mote destas histórias. Como o poema é enorme, deixo um excerto. Espero que aguce o apetite.

"Já disse que a alma não é mais do que o corpo,
E já disse que o corpo não é mais do que a alma,
E, para cada um, nada, nem Deus, é maior que se próprio,
E quem caminha duzentos metros sem amar caminha para o seu próprio funeral, envolto na sua mortalha,
E eu ou tu, que não temos tostão, podemos comprar o melhor que há na terra,
E olhar de relance ou mostrar um feijão na sua vagem obscurece o saber de todos os tempos,
E não há ofício nem trabalho em que um jovem não possa tornar-se um herói,
E não há objecto tão frágil que não possa servir de eixo às rodas do Universo,
E digo a cada homem ou mulher: Que a tua alma permaneça serena e plácida perante um milhão de universos."