Páginas

Redes Sociais

.

terça-feira, fevereiro 27, 2007


Sidrar


Eu sidro...

Tu sidras...

Ela sidra...

domingo, fevereiro 18, 2007


MADRID


Dizia Fernando Pessoa da Coca-Cola: "Primeiro estranha-se; depois entranha-se". Sinto o mesmo em relacao ao meu (quase no fim) ERASMUS.
As malas estao quase feitas. Roupa de Verao (ainda) e de Inverno aos montes, sobreposta com lembrancas, saudades (ja e ainda) e otras cositas más. Mas as fotografias continuam nas paredes, á espera da hora derradeira. Aquela hora em que as últimas coisas se poem dentro do último saco e se preparam para o regresso. Afinal, vou voltar para casa.

Cinco meses e meio de ausencia. Desde 4 de Setembro que estou em Madrid. Adaptacao difícil (muito mais do que imaginava). A verdade é que sempre fui um bocadinho avessa a mudancas, confesso. Mas pensava que tinha mudado. Afinal, nao tanto como isso!
Sento-me na ponta da cama coberta com a colcha azul turqueza e suspiro. Nunca pensei que esta aventura me trouxesse tantas emocoes como aquelas que vivi, que vivo e que nunca mais acabam. Encosto os cotovelos nos joelhos e parece que todo o corpo cai. Deito a cabeca na cama e olho á minha volta. O quarto pequenino, frio e humido, meu aconchego nas horas mais nostalgicas, vai ser abandonado. Todas as minhas marcas - fotografias, papelada, termoventilador, tapete as riscas, O Beijo do Klimt comprado no Rastro, desarrumacao - tudo vai deixar de fazer parte da casa madrilena.

Depois do Natal, quando regressei, senti que comecava a contagem decrescente. E essa sensacao fez nascer uma enorme ansiedade e uma angústia (diria, grandota) por o tempo estar a passar tao depressa. Mas é mesmo verdade...passou a correr.
O meu ERASMUS nao foi aquilo que eu sonhava. Sonhava com noitadas de partilha, conversas e descobertas de que me falavam com tanto orgulho pessoas que ja tinham ido e ja tinham regressado, paixoes assolapadas por tudo e por nada, gargalhadas histéricas, baldas as aulas, amizades loucas, espontaneas. Acho que tive as experiencias, mas nao na intensidade com que as sonhava. Sera que me estou a fazer entender?
Bem...adiante!
Cada regresso a Lisboa era para mim uma lufada de ar fresco. A Luz de Lisboa é incomparável. O branco da calcada inigualável e o que sinto quando chego é um conforto imenso e uma sensacao de "casa" muito grande. Conheco os sitios, os ruidos, os cheiros...e dá-me uma seguranca enorme poder encontrar pessoas conhecidas em sítios familiares. Aqui em Madrid nao era assim. Mas desde que comecei a pensar que me ia embora que me sinto em "casa" quando chego. A estranheza dos primeiros tempos contrasta agora, fria e cruelmente com a sensacao de que me sinto bem, de que já conheco sítios e já sinto a cidade como minha. Agora nao me importo de andar por ai a deambular sozinha, nao me importo de rir quando fixo o olhar nos homens-estátua dos preciados e eles sorriem, nao me interessa estalar os dedos no metro quando vibro com a musica nos headphones alheios...porque Madrid já e minha. Já a sinto como familiar, como um sítio que conheco, como companheira cúmplice e discreta de aventuras, risotas, brincadeiras, dancas e cancoes, paixoes, ERASMUS.
Gosto de passear e poder responder a turistas onde é a estacao de metro mais próxima, quanto tempo demora a viagem até Segovia, quanto custam os bilhetes de autocarro e a que horas fecha o Mac de Cuatro Caminos. Gosto quando tocam a campainha e nao se percebe nada do que dizem, quando vou a descer as escadas do metro aqui mesmo a porta de casa (e so atravessar a estrada) e sentir o vento a soprar no cabelo. Gosto de chegar a Ciudad Universitaria e ver que o sinal do semáforo está verde para eu passar, e sentir que ha na cafetaria o cheirinho de napolitanas de chocolate e montes de gente da mesma idade que faz as mesmas coisas que eu e rapazes a jogar rugby no campo enlameado e sempre cheio de pocas de água mesmo atrás do edificio novo da faculdade. E gosto que ninguém perceba o que digo quando falo portugues e gosto dos amigos que fiz e de passear pela Calle Mayor e de me sentar na Plaza Mayor e de sentir que tenho a orelha vermelha por isso é sinal que a mesma hora alguém de quem gosto muito e que gosta muito de mim, está a pensar em mim. E o que gosto mais é de nao pensar nesta despedida como uma coisa definitiva. E certo que ERASMUS termina e nunca mais vai ser o mesmo. De turista passei a residente e com a mesma rapidez e intensidade vou voltar a condicao inicial. É incrível como os ciclos se repetem e ainda mais incrível eu sentir - como digo tantas vezes - que a intensidade com que sinto querer voltar é a mesma que me faz pensar remotamente que poderia ficar mais. Porque acho que aquilo que nao podemos mudar a partida se torna mais desejado (pelo menos neste caso). Porque decidi partir e neste momento apetece tanto ficar. Porque as companeras de piso, Cuatro Caminos, o Carrefour, o Sol, o Paseo do Prado, o Reina Sofia, a Gran Via, a musica clássica a porta da Fnac dos Preciados, os passeios pela Calle Arenal desde a Opera até ao Palacio Real e a minha Plaza Mayor me vao fazer tanta falta.
Porque este misto de emocoes so me faz sentir que estou maior, mais sensível a realidade, e me sinto como tu disseste T., que o crescimento nao "cabe mais em nós". Porque me sinto cheia de tudo e de nada, porque vai custar dizer Adeus (melhor dizer hasta ahora) e me vai dar tanto prazer refazer a rotina.
Madrid faz parte de mim porque, sinto, nao consigo descrever tao bem como gostaria aquilo que sinto por ela. E porque já tenho saudades e ainda nao fui.
Dizia eu quando vim..naquele post remoto cheio de nostalgia portuguesa, de saudades enormes, de falta de tudo aquilo que a mudanca me tinha tirado...Lo importante es volver. Digo o mesmo agora que regresso. A frase vai ficar para sempre. Muda o objecto. Como está tudo sempre em mudanca, resta esperar pela próxima paragem. Nao será ERASMUS porque esse nao se pode repetir. Mas será certamente por outro motivo qualquer. Porque em mim...há tantas recordacoes como há sonhos por concretizar. E como dizia o poeta...parar é morrer!

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Última Hora


Comunicado Oficial
Por motivos até agora desconhecidos (aparentemente de carácter muito forte), alheios ao próprio S. Valentim (percursor e responsável deste dia tao falado e especial), fica adiado o dia 14 de Fevereiro, vulgo comemorativo dia dos namorados para a semana que vem. E em decreto geral passará a chamar-se Dia dos Super Namorados.


E aí sim...vamos comemorar. Vale?!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

A descoberta do dia...

Hoje aprendi a justificar os textos do blog! E também outra coisa que agora me esqueci...(sera que ja a "desaprendi"?)...ah...e ja converti o meu blog as maravilhas de Google account...nao sao magnificos estes progressos das novas tecnologias? Quem diria que um dia poderiamos fazer tal coisa!

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Amanha é outro dia

Ha tantos dias que se sentia cansada. Acordava sem saber o que fazer apesar da papelada se juntar na escrivaninha empoeirada. Mas cada dia lhe parecia que o acumular nao era suficiente para incentivar a limpeza. E entao deixava passar os dias entre os pensamentos e os sonhos repetidos que tentava nao esquecer. Logo que acordava de algum deles, apressava-se a pegar no caderninho azul com a estrelinha amarela ao canto e a escrever com detalhes aquilo que sonhara. As vezes parecia-lhe infantil mas o Dr. V. tinha-lhe dito um dia, numa tarde chuvosa, que talvez escrever os sonhos em papel ajudasse a enfrentar os medos que tinha.
Depois de escrever com todos os detalhes o sonho, voltava a tapar-se. Metia até a cabeca debaixo dos lencois, para que a luz que entrava pela janela sem portada nem persiana nao lhe fizesse fugir a continuacao do seu sonho. E a vontade de regressar ao mundo do sonho que tinha deixado para tras afunilava com a sensacao do corpo a perder o peso e a levitar (parecia-lhe que levitava, nao era?).

terça-feira, janeiro 30, 2007


Como o dia é tao especial e as lembrancas tao presentes apetece dizer a toda a gente que te adoro. É bom saber que nos guardámos tao bem e que já sabemos tanto um sobre o outro. É como se o tempo tivesse passado e deixado as suas marcas, mas o fascínio do primeiro dia se mantivesse intocável, perante tantas provas e tantas tormentas.
É como se tivessemos conseguido proteger o mais importante na redoma mais forte (nunca pensei que pudessem existir redomas blindadas). E tudo, em simples segundos, se aglomera num filme perfeito de imagens que se sucedem, de datas que se celebram, de musicas que marcam compassos tantas vezes descompassados.
Nem sempre juntos mas nunca separados, disseste um dia. Bom saber que posso contar contigo para o que der...e vier..

Por mais 6 vezes 6 vezes 6...porque parecem infinitos...muito mais que seis...e ainda tanto que disfrutar..tanta descoberta que ai vem...
Vamos?


Mas espera...espera por mim...espera que eu regresse. Entretanto, quero que recebas, de bracos abertos e com toda a calma e serenidade do mundo...um abraco a distancia e um beijo que pode ser de saudade, de carinho, de atencao, de preocupacao, apaixonado...e tudo mais que precises... Muitos Parabens!!

Aí sim...vou também sentir a resposta da tua parte a pergunta que fizeste. Sim..quero namorar contigo! Parabens outra vez, pequeno! Hoje é o Nosso dia!

segunda-feira, janeiro 15, 2007

22...
...Ca estou eu!!

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Sim?

O bater do pe repetido no chao da calcada branca manchada pelos pes dos que passavam, denunciava a ansiedade. E talvez tambem a falta de maturidade que algumas vezes acusavam de ter. -Devo ter desculpa-, pensava...afinal os dias nao eram todos iguais e sentia sempre o friozinho na barriga em horas como aquelas.
O telefonema veio sem avisar. Nao e que nem todos avisem que vem, mas naquela manha, ainda a dormir, sentiu o toque do telefone. Como nada fazia prever reaccoes como aquelas, levantou-se com sobressalto e pousou o auscultador na mesinha de cabeceira. O sinal de impedido do outro lado denunciava a chamada curta e avassaladora.

(-Sera mesmo isso que queres?)

De joelhos no chao, flashes de imagens abatem-se num pensamento filmico, regrado e rapido. Imagens, imagens, imagens. Momentos, lembrancas, emocoes. Volta sentar-se na cama e escuta o relogio.
-E preciso pensar coerente e rapido. - reflecte.

(-Isto e mesmo verdade?)

Agora um calor avassalador passa por todos os membros e parece que a cabeca explode de dor. O coracao dispara qual revolver accionado por um simples pulsar de dedo. A voz volta a cabeca e, agora vem um frio assustador gelar-lhe tudo aquilo que faz do seu corpo, humano.

(-Para que sentir?)

Encosta as costas a cama desfeita e pousa os cotovelos nos joelhos e a cabeca nas maos, que tremem sem parar. E preciso pensar. Pensar rapido e agir. Profunda(mente). Telefonar nao vai resolver. Nao restitui. Nao resolve. Nem sequer da comodidade. Mas fazer o que? Esperar? Pensar? Dizer tudo ou nao dizer nada? Insultos? Devaneios? Sentimentos de si e de outro que parece o mesmo? Confusao avassaladora. Branco. Quebra.
A calcada suja denuncia tambem os passos de quem tem estorias para contar.
- Sera que passamos por ela alguma vez em silencio? Ler-nos-ia ela os pensamentos, agora?
O tempo atrasa o encontro. A ansiedade aumenta a cada segundo. E neste impasse, nesta instabilidade e nesta incerteza, e dificil identificar o bom e o mau, o que partilhar e o que guardar, o que fazer...
Esquecer?
-Parar de bater o pe. Talvez assim acalme este instinto de querer mais e pedir impossiveis. Isso...maturidade.

segunda-feira, dezembro 18, 2006


Alimentar passaros


As maos, envelhecidas e amareladas pelo tempo, eram testumunho dos anos idos em que trabalhava na fabrica de tijolos, nos arredores da grande cidade. Foram tempos dificeis esses. A mulher e os tres filhos pequenos recebiam-no de bracos abertos, mesmo que o dinheiro tardasse para pagar as contas acumuladas na mercearia da rua.
A saida, fazia-a ainda de noite, quando todos dormiam. E as maos, aquecidas no caminho, uma contra a outra, eram a sua companhia, bem como os pensamentos. Pensava no momento em que voltaria para casa para os abracar e saber do que tinham feito durante o dia. A sua princesa, acendia o fogao de sala improvisado que aquecia os pequenitos. Mas eram, sem duvida as conversas sobre os dias que aqueciam os coracoes. O poder dos olhares era tanto que nada o igualava. E trocavam ideias, pensamentos, segredos que mais ninguem sabia. Eram pessoais e exclusivos do nucleo familiar.
Depois de parar de trabalhar, os dias encheram-se mais desses pequenos momentos, ainda que os pequenos se tenham convertido em grandes e abandonado temporariamnete a casa paterna. As dificuldades nao sao agora tanto as economicas mas as de encontro. Agora quando chega ja nao tem princesa e tres principezinhos a espera. A princesa esta, efectivamente, agora mais velha e casmurra, mas preserva o sorriso que o fascinou e as preocupacoes que sempre a caracterizaram. E continua a acender a lareira para que as maos dadas se aquecam depressa.
Quanto aos pequenotes seguiram a sua vida (como tem de ser). Alem das frequentes visitas (ja que, por sorte, vivem perto), conservam a alegria e a forca da juventude, que ajuda a encarar cada dia como algo totalmente novo.

Ele, caminha pelo parque. Solitario, pisa as folhas caidas e amareladas do Outono. Sao esses os seus dias. Alimentar passaros. Encontrei-o ontem com a alegria que, creio, foi sempre sua. Queriamos tirar uma fotografia a retratar o seu "oficio". Disse, como quem esta convencido de que tem razao, que a "fotografia perfeita" seria comigo a alimenta-los, eu mesma.
Como sempre, temi pela impressao que o pequenitos pudessem provocar na minha mao; qualquer movimento repentino da minha parte poderia ser fatal.
Por outro lado, nao queria perder a oportunidade. Aproximei-me. Pareceu-me um momento eterno, aquele. Daqueles que nunca mais se repetem e, no entanto, prevalecem.

Eu tambem ja alimentei passaros.

sábado, novembro 18, 2006


Fumava uns cigarros atràs dos outros. O fumo, segregado pelos làbios, deixava um doce cheiro no ar. De dia, fumava-os rapidamente, à entrada dos cafés, das livrarias, das lojas de musica. Nas esplanadas, tentava afastar-se de quem nao o fazia. Mas de noite, os cigarros eram a companhia das noites frias, e ela sabia-o. Escrevia poesia enquanto os agarrava entre os dedos da mao esquerda. O s dedos, amarelados pelo vicio, eram testemunho das noites sem dormir e dos dias a correr, passados entre os dois trabalhos que o dividiam.
Mas à noite, era diferente. A luz vaga do candeeiro na mesa ao fundo do quarto, iluminava pouco as caras e deixava a imaginacao trabalhar. Quando batiam à porta, ele sabia quem era so pela maneira como os dedos assentavam na madeira clara e oca. Nem precisava de dizer-lhe que entrasse. A vontade era maior que tudo e apressava-se a perguntar como tinha corrido o dia. Respondia-lhe apressada que, « -Bem ! » e aproximava os labios da testa dele, dava-lhe um beijo e dizia-lhe « Até amanha ».
O jogo comecava. Ela dizia que nao num compasso calculado entre a ficcao e a realidade. Dava razoes mais que plausiveis para serem felizes para sempre. Acreditava e fazia-o crer tambem.
O cigarro dava calor quando ela saia a meio da noite sem avisar e o deixava acordar com a ideia de que tinha sido tudo um sonho. Os làbios rosados nos ombros descobertos sentiam a pele macia e arrepiavam-na sempre. Ela suspirava com vontade de o abracar mas deixava-se embalar por aquele toque carinhoso.
-Amas-me?
-Claro. Sabes que sim.
Pegou no cigarro e deu uma passa profunda. Partilharam o mesmo cigarro e deixaram-se contemplar um pelo outro. Afinal, ela sempre achou que partilhar um cigarro era das coisas mais romanticas.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Num milesimo de segundo
E quando ela, la ao longe, o viu dizer Adeus, pegou nas forcas que lhe restavam e gritou:
-Quero que toda a gente saiba que te amo!

Depois caiu exausta no chao frio da rua e sentiu-se morrer.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Era sempre da mesma maneira. Acordava quando o sol se punha e com ele nascia todos os dias. As piadas nunca eram as mesmas e os pensamentos sobre ela eram recorrentes. Uma vez, cairam os dois à entrada daquela igreja alta e familiar, naquele largo onde tantas vezes se despediram. Sorriram e ficaram imoveis a espera que o momento ficasse para sempre. Ele dizia que tinha a sensacão que era sempre ele que dizia adeus e ela queria dizer-lhe que não mas também o sentia. Ficavam montes de vezes a olhar um para o outro e as conversas eram tão envolventes que conseguiam que se passassem horas sem que nunca um assunto fosse repetido. Sorriam juntos e cada um no seu mundo, quando, no balanco do dia, desejavam estar juntos.
Ele pedia-lhe muitas vezes para dancar no meio da rua. E nessas alturas criavam um mundo so deles e nao davam pelos olhares e sorrisos dos outros que passavam (e passavam mesmo). Quando as cartas comecaram a ser assiduas, ela achou que estava apaixonada. Ai, tudo aquilo que pensava se desvaneceu. A fortaleza edificada dissipava-se a cada abraco, a cada sorriso, a cada beijo, a cada toque de maos. E quando ele desapareceu naquele segundo em que o despertador tocou, ela continuou a sonhar com ele.

terça-feira, outubro 31, 2006


As nossas cores


Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodovar
Cores de Frida Kalo
Cores

Passeio pelo escuro
Eu presto muito atenção no que o meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um carro
Uma casca
Uma cápsula protectora

Ai eu quero chegar antes
Para finalizar
O estado de cada coisa
Filtrar seus graus

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Dos meninos que têm fome

Pela janela do carro
Pela janela do quarto
Pela tela
Pela janela
Quem é ela
Quem é ela
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Escolho meu modo
Me mostro
Eu canto:
Para quem?

Pela janela do carro
Pela janela do quarto
Pela tela
Pela janela
Quem é ela
Quem é ela
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo
E meus amigos? Cadê?
Minha alegria?
Meu cansaço?
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado!
Pela janela do carro
Pela janela do quarto
Pela tela
Pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle
nãnãnã...nãrãnãnã...

Adriana Calcanhoto



("Nem sei ao certo se a letra está certa"...só sinto muito as saudades destas noites em que ficamos, com toda a serenidade e alegria do mundo, a conhecer-nos melhor. E é nestas noites que o mundo parece estar aos nossos pés e todas as cores têm o sabor da amizade mais forte e mais pura do Mundo.)

quinta-feira, outubro 26, 2006


Que me dizes a um Erasmus a copo?
(irresistìvel...)

terça-feira, outubro 24, 2006

Pessoa: do Lat. persona, s. f., ser ou criatura da espécie humana; ser moral ou jurídico; personagem; individualidade.

Pessoas lindas
Pessoas estranhas
Pessoas simpàticas
Pessoas tìmidas
Pessoas que nos dizem muito
Pessoas a quem nao somos nada
Pessoas especiais
Pessoas desafinadas
Pessoas desajeitadas
Pessoas que gritam
Pessoas que choram
Pessoas que se defendem
Pessoas inteiras
Pessoas em construcao
Pessoas crescidas
Pessoas pequeninas
Projectos de pessoas
Pessoas boas
Pessoas màs
Pessoas alegres
Pessoas sem vergonha na cara
Pessoas corajosas
Pessoas destemidas
Pessoas aventureiras
Pessoas que sabem
Pessoas que nao fazem ideia
Pessoas presentes
E pessoas que nunca estao
Pessoas fortes
Pessoas friorentas
Pessoas caladas
Pessoas altas
Pessoas baixas
Pessoas que pensam alto
Pessoas que nao chegam aos calcanhares
Pessoas futuristas
Pessoas tal qual sao
Pessoas assim.
Tudo Pessoas.

domingo, outubro 22, 2006

Imagens Reais

O horror, o drama, a tragédia!!!
Madrid, a movida e a aventura Erasmus...tudo junto...agora em imagens!!!

(é isso mesmo...criei o meu proprio fotolog...durante Erasmus hà mais uma oportunidade para saberem da minha vida...agora com ilustracao!!!)

www.fotolog.com/mianocas

Visitem e comentem!!!

sexta-feira, outubro 20, 2006

Inverno

Custa-me abrir os olhos de manha...olho pela janela e vejo tudo escuro. E é impossivel perceber o que se passa na rua através da janela, impossivel saber o que vestir, se esta frio, se esta calor, se chove...

Os olhos ardem-me e depreendo que seja pela impossibilidade de adaptacao à luz...ardem-me tanto...
Hà vida nesta cidade pela quantidade infindàvel de vezes que consigo ouvir a sirene de ambulancias ou bombeiros na enorme avenida onde moro; fica mesmo junto a uma grande rotunda que faz a ligacao entre quatro caminhos...é assim que se chama: Quatro Caminhos. Alguma vez tive quatro caminhos a escolher? Normalmente, creio, sao apenas dois...nem sei se seria mais fàcil escolher entre quatro...seriam...este, aquele, o outro e o outro...nem poderia estar perante um dilema..senao um grande dilema...melhor...um quadrilema.

Pois é, para sorte ou azar calhou logo viver em Quatro Caminhos...para o melhor e para o pior...como estes textos que escrevo.

Desde que aqui estou que nao me surgem grandes temas para alem da propria da experiencia que ando a viver. Tudo o que vem a cabeca esta relacionado com ERASMUS; é inevitàvel que se fale disto e nao consigo evitar pensà-lo em palavras. O pior é que dessa pasagem para a escrita sobra muito pouco e parece-me tudo tao limitado...tao sem sumo?!!

Acordo. Destapo-me. Ponho os pés mornos no chao branco e frio. Espreito pela janela e nao vejo nada. Olho, tento ver para além do vidro e para alem dos sons que ja me invadiram os ouvidos desde o primeiro momento. E de repente é hora de despachar. Hora de correr, de apanhar o metro. De pensamentos matinais. De observacoes a olho nu de uma realidade com a qual tantas vezes jà me identifico e outras tantas me causa repulsa, desalento e tristeza. E tento perceber as palavras. E corro para apanhar o semàforo verde quando jà pisca.
Respiro este ar. Bebo palavras, atitudes, caras e expressoes quotidianas de tanta gente com que me cruzo diariamente. Volto a casa e espero ansiosamente. E sinto-me, às vezes, tao mais vazia do que gostaria...

terça-feira, outubro 03, 2006

Já te tinha visto antes sem dar por ti.
Tinha-te imaginado sem te conhecer.
Sonhei contigo. Noites e noites. E noites.
E sorri tantas vezes a lembrar-me das tuas graças.
E no mais íntimo do meu ser, sinto-te dentro das entranhas da minha alma. Em cada bocadinho do que sou eu.
E é sempre tudo tao especial. Tao quente. Tao solarengo. Tao mágico. Tao nosso, nao é?

E depois colaste-te. Colei-te. Deixei-te ficar. Quis sempre que ficasses.
Gosto. Gosto muito. Adoro. Adoro mesmo. Gosto de adorar gostar de ti.
AQUI


Aqui nunca fica de noite.
Aqui o metro é caótico, o ar pesado, todos se atropelam e falam ao mesmo tempo. E sempre alto.
Aqui faz muito calor...e dizem...também muito frio.
Aqui as pessoas sao diferentes umas das outras. Há pessoas de muitas nacionalidades que falam muitas línguas e riem e choram e gritam de maneiras distintas.
Aqui quase todas as "chicas" têm piercings na boca.
Aqui todas se pintam, de noite e de dia.
Aqui todos os dias, ao fim da tarde, as ruas enchem.
Aqui há barulho na rua e feiras ao Domingo e velhinhos à conversa sentados nos bancos das praças e tapas caras e miúdos a correr pelos jardins quando o calor de Verao amaina.
Aqui o movimento é intenso.
Aqui os cheiros misturam-se, ouvem-se gargalhadas e vêem-se sorrisos e amigos aos abraços e namorados de maos dadas,
Beijos apaixonados e sorrisos cúplices.
Aqui os prédios sao altos e escuros e nao se percebe., da janela, o tempo que está.
Aqui as praças sao amplas e o sol ilumina as caras e os corpos.
Aqui tudo é novo.
Aqui por isso, tudo é estranho.
Apesar de já ter cheirado, sentido, ouvido, visto e imaginado.
Aqui. Isto aqui.
Aqui.

segunda-feira, outubro 02, 2006


Quando?