quarta-feira, janeiro 02, 2008
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Pés saltitantes querem anos novos. Passos pequenos, por mais que a calçada seja irregular e escorregadia, são a melhor maneira de caminhar. Com precaução, é possível que as casas se construam a partir de alicerces fortes. Podem ter cores gritantes, gostar de festa e de alarido, mas não deixam de ser fiáveis e, em última instância, de confiança.Os pés pequenitos andam devagar, serenamente, incessantemente. Porque os pequenos têm de dar passos mais certeiros, e o tempo de reflexão nunca é tempo perdido. Há que decidir melhor, leve o tempo que levar. Pés pequenos, por terem de procurar as melhores pedras onde saltitar e por terem de planear melhor os próprios saltos, caminham certeiramente ano após ano. Cansam-se muito, porque caminham em dobro. Mas ao mesmo tempo há neles a serenidade de saberem certas as decisões, de tão pensadas e reflectidas. Pés pequenos para grandes passos. Porque são mais certeiros. Porque sim.
quinta-feira, dezembro 27, 2007
O futuro nos livros
Quando eu era pequena e os dias passavam devagar eu cansava-me das férias. A chegada de dias de férias era mais valorizada, creio que pelas festas na escola no dia antes. Gostava mais das festas de despedida de "Bom Natal" ou "Até para o ano", das recomendações das professoras de "Não se esqueçam de continuar a ler no Verão!" do que propriamento do dia em que não seria obrigatório acordar cedo para ir para as aulas. Gostava mais dos concursos de playback e das festas dos slows da adolescência no refeitório do que do prazer de dormir até mais tarde. E passados uns dias tinha vontade de voltar para a escola. Sempre me cansei das férias e muito especialmente das férias grandes. Sim, porque as férias de Verão eram mesmo grandes, senão enormes férias! Começavam no fim de Junho e só acabavam em meados de Setembro e o tempo rendia tanto que chateava não ter nada para fazer durante dois, quase três, longuíssimos meses de Verão.
Nas minhas férias de Verão, longas e pachorrentas, os meus dias passavam vagarosamente. O tempo, de tão lento, cansava de aborrecido. O tédio era esquecido quando, em meados de Agosto, os novos livros vinham para casa. A partir daí, podia sonhar em planear o novo ano, que aí já fazia sentido. É preciso bases sólidas para começar qualquer coisa. Sem pilares que sutentem, nada vinga nem anda para a frente. Os livros eram os meus pilares fortes num todo de "dolce fare niente", passageiro-permanente das férias de Verão. Os livros vinham, e eu, adorava cheirá-los, folheá-los, ver o que aprenderia logo logo em Setembro (que já estava tão próximo e ao mesmo tempo tão longínquo). Forrava-os com papel de bonecos, primeiro, e depois, transparente, que facilitava a idenificação. Era todo um ritual, este de folhear, cheirar, forrar, voltar a folhear, descobrir o futuro. E as páginas dos livros novos, a cheirar a coisas novas, serviam de base para planear o futuro e exerciam uma espécie de encantamento em mim, que ainda agora eu não consigo negar.
quarta-feira, dezembro 19, 2007
quinta-feira, dezembro 13, 2007
Suspiro Jornalístico em LISBOA
Queria poder ter feito parte da cobertura deste Tratado. Quantas vezes estive durante a manhã de cabeça e coração no Mosteiro dos Jerónimos, a imaginar o ambiente. Preciso de mais do que ser espectadora dos acontecimentos. Quero participar, quero estar, ver, ouvir, quero colaborar. Quero sentir que o mundo sabe mais de si e que eu participo nessa partilha de estórias! Quando é que eu vou poder finalmente deixar de ser uma jornalista de secretária?
quarta-feira, dezembro 12, 2007
(Para ouvir ao ler)
Passear contigo é sentir que quando caminho não estou sozinha. É o descomprometimento de pôr as mãos nos bolsos sem medo de não te dar a mão. É sentir o vento frio na cara, transpirar de calor, sentir o sol a pique no nariz, a iluminar-me o rosto. É compor a gola do casaco e sentir um beijo teu. É o teu cheiro, sempre tão familiar. Saber que estás lá. Saber-te minha. Passear contigo é o misto mais agradável de descontração e apreço. É abraço sem contacto e contacto sem toque. É cumplicidade. Passear contigo é saber-te minha e saber-me tua. De alma, coração, confiança. É sentir que me sabes tantas vezes a tanto, e outras tantas a tão pouco.
quarta-feira, dezembro 05, 2007
O metro, a cigana e as lágrimas teimosas
Coberta de preto a velha cigana senta-se no banco do metro. Vai nervosa, ansiosa, nota-se-lhe uma instabilidade latente.
As rugas de expressão que acompanham a cara escura, outrora simples e encantadora, carregam a carga emotiva que a transfigura. A velha cigana aperta as mãos devagar. Baixa a cara, vêem-se-lhe as riscas na testa de tanto a engelhar, do sol, da vida. Depois, a cabeça entra quase entre os ombros e começa a gemer muito baixinho. Aperta os dedos contra os olhos num movimento repetido e aflitivo. Desespera, chora baixinho e sem lágrimas. Vida dura, corpo cansado. Mãos marcadas pelo passar dos anos, agora denunciado por não conseguir chorar.
Não chora a velha cigana vestida de negro. Geme de tanto tentar e não conseguir. A velha Lisboa entrega-se-lhe depois, quando sair do metro e vir a luz do dia. Corre e mostra-lhe que o dia é muito mais do que aquela velocidade a que o metro percorre os finos carris debaixo da terra. Se vivesse sempre como topeira nunca poderia sequer supor...tentar por momentos imaginar...adivinhar aquilo que se passa na vida daquela velha cigana de pele bonita. As rugas marcam os caminhos daquela cara viajante. Mas o tormento...sim...o tormento é a evidente dificuldade que as lágrimas têm de lhe percorrer a cara. Uma dificuldade em não saber ou em não conseguir chorar.
Coberta de preto a velha cigana senta-se no banco do metro. Vai nervosa, ansiosa, nota-se-lhe uma instabilidade latente.
As rugas de expressão que acompanham a cara escura, outrora simples e encantadora, carregam a carga emotiva que a transfigura. A velha cigana aperta as mãos devagar. Baixa a cara, vêem-se-lhe as riscas na testa de tanto a engelhar, do sol, da vida. Depois, a cabeça entra quase entre os ombros e começa a gemer muito baixinho. Aperta os dedos contra os olhos num movimento repetido e aflitivo. Desespera, chora baixinho e sem lágrimas. Vida dura, corpo cansado. Mãos marcadas pelo passar dos anos, agora denunciado por não conseguir chorar.
Não chora a velha cigana vestida de negro. Geme de tanto tentar e não conseguir. A velha Lisboa entrega-se-lhe depois, quando sair do metro e vir a luz do dia. Corre e mostra-lhe que o dia é muito mais do que aquela velocidade a que o metro percorre os finos carris debaixo da terra. Se vivesse sempre como topeira nunca poderia sequer supor...tentar por momentos imaginar...adivinhar aquilo que se passa na vida daquela velha cigana de pele bonita. As rugas marcam os caminhos daquela cara viajante. Mas o tormento...sim...o tormento é a evidente dificuldade que as lágrimas têm de lhe percorrer a cara. Uma dificuldade em não saber ou em não conseguir chorar.
segunda-feira, novembro 26, 2007
Brinde a Lisboa que ela é nossa!
À subida do elevador de Santa Justa, da Av.da Liberdade à Emeroteca, com toalhas do chinês roubadas, na mão
A estranho desaparecimento da Raquel, no bairro, na noite dos anos da Cat
Ao marretas e ao vaca louca, onde "avacalhámos" tantas noites
Ao mercado da Ribeira com carne e fumo na casa de banho e cigarros nas escadas e sangria no sangue
Ao marquês de Pombal, ao chinês do karaoke da despedida das Saras e da Cat
Ao cup do Saldanha, os gelados oferecidos e as mesas guardadas
Ao Picoas, à esplanada, à biblioteca e ao storia del café
À esplanada amarela, aos elevadores avariados e às casas de banho sem papel higiénico da fcsh
Ao campo pequeno da Deb, das garraiadas e da loja onde não vamos comprar nada
À casa da Cat com cafés confidentes, à casa da açoriana com lasanha da boa, à casa da sara de lagos com petiscos de fada-do-lar
À rua Castilho e à avaria do C3
À rua Augusta, à Brasileira, à Rua Garrett e à Av. da Liberdade dos passeios
Ao Bairro Alto, Lux, Loft (e People) das noitadas
À queda da açoriana na 24 de Julho
À Praça de Espanha, à Gulbenkian
À vista da Ponte..quando voltámos da Aroeira ou do MUN
À beira-rio, ao técnico, palcos privilegiados de aventuras surreais
A tudo aquilo que é Lisboa e a tudo o que testemunhou...
Onde cada cantinho tem uma história nossa por contar...
Um brinde a Lisboa...cidade Vocc!
À subida do elevador de Santa Justa, da Av.da Liberdade à Emeroteca, com toalhas do chinês roubadas, na mão
A estranho desaparecimento da Raquel, no bairro, na noite dos anos da Cat
Ao marretas e ao vaca louca, onde "avacalhámos" tantas noites
Ao mercado da Ribeira com carne e fumo na casa de banho e cigarros nas escadas e sangria no sangue
Ao marquês de Pombal, ao chinês do karaoke da despedida das Saras e da Cat
Ao cup do Saldanha, os gelados oferecidos e as mesas guardadas
Ao Picoas, à esplanada, à biblioteca e ao storia del café
À esplanada amarela, aos elevadores avariados e às casas de banho sem papel higiénico da fcsh
Ao campo pequeno da Deb, das garraiadas e da loja onde não vamos comprar nada
À casa da Cat com cafés confidentes, à casa da açoriana com lasanha da boa, à casa da sara de lagos com petiscos de fada-do-lar
À rua Castilho e à avaria do C3
À rua Augusta, à Brasileira, à Rua Garrett e à Av. da Liberdade dos passeios
Ao Bairro Alto, Lux, Loft (e People) das noitadas
À queda da açoriana na 24 de Julho
À Praça de Espanha, à Gulbenkian
À vista da Ponte..quando voltámos da Aroeira ou do MUN
À beira-rio, ao técnico, palcos privilegiados de aventuras surreais
A tudo aquilo que é Lisboa e a tudo o que testemunhou...
Onde cada cantinho tem uma história nossa por contar...
Um brinde a Lisboa...cidade Vocc!
terça-feira, novembro 20, 2007
Bonito, não?
"De modos que te amo.
E sinto tão gravemente a tua falta,
como quem sente a dor num braço que já não tem.
E perco-me em ti
viajando com os olhos
no infinito branco do tecto do quarto
que por segundos podia ser nosso.
Quero-te portanto.
Mais do que me quero a mim...
Ou pelo menos de igual forma,
que este tipo de sentimentos não se querem altruistas.
Espero-te!
Com a ansiedade a empurrar-me o coração,
ora para trás ora para a frente.
Pois é assim que se deve esperar...
Espero que chegues,
que largues os sacos das compras
que desligues a luz e te atires para mim."
segunda-feira, novembro 19, 2007
Cheirinho de Castanhas é cheirinho a Lisboa
Em busca de uma reportagem fui caminhar por Lisboa. Não que só uma reportagem justifique fazê-lo...pelo contrário. Desde que me lembro que caminho por Lisboa. Muitas vezes com objectivo, outras vezes sem destino, sempre a observar o que se passa. E Lisboa, nesta altura. sabe mesmo bem.
Procurei uma rua, depois das explicações do H.. A companhia conhecia pior que eu a cidade. Descemos as escadinhas da descida íngreme (será que uma descida também o pode ser?!), quatro, uns atrás dos outros. Tempo apertado, caminhar calmo por constrangimentos alheios. Cheirinho a castanhas assadas, frio na cara (fim de tarde de outono ideal), buzinas, ventinho, semáforos...ui...até arrepia.
Descer pelos restauradores e entrar na rua por onde não se vê o Rossio. Estação do Rossio, toda recuperada e muitoooo bonita...iluminada...que linda que é Lisboa, bolas!
Sobe-se um bocadinho e vejo umas escadas do lado direito que me lembram aquele passeio, algures ainda no Verão.
Seguimos pela rua que sobe para os armazéns. Rua Garret. Só quando chegamos perto da Rua Ivens olho para trás e me apercebo que já há luzes de Natal nos armazéns do Chiado. Alguém pergunta: "Não tinhas reparado?"humm...não (penso: tenho de estar mais atenta, já me escapam evidências).
Corto à esquerda como recomendado. "Depois deves ver um largo"...hum...há uma espécie de rotunda mas os nomes das praças não coincidem...sigo mais rapidamente...porque o tempo passa rápido, principalmente quando se passeia. procuro algum sinal que me diga que vou no caminho certo.Onde está essa rua, Victor Cordon?!
Do lado esquerdo, umas grades que fazem lembrar uma prisão...e...supresa das surpresas...uma das vistas mais bonitas que Lisboa já me deu. Um miradouro ali escondido...
Fim da rua...o primeiro elemento que me diz estar no caminho certo. Há carris de eléctrico na calçada. A campaínha testemunha a evidência. Rua Victor Cordon. Agora só falta encontrar o número da porta e
esperar que seja perto. Mais uma rua a subir...e o eléctrico já passou!!
Em busca de uma reportagem fui caminhar por Lisboa. Não que só uma reportagem justifique fazê-lo...pelo contrário. Desde que me lembro que caminho por Lisboa. Muitas vezes com objectivo, outras vezes sem destino, sempre a observar o que se passa. E Lisboa, nesta altura. sabe mesmo bem.
Procurei uma rua, depois das explicações do H.. A companhia conhecia pior que eu a cidade. Descemos as escadinhas da descida íngreme (será que uma descida também o pode ser?!), quatro, uns atrás dos outros. Tempo apertado, caminhar calmo por constrangimentos alheios. Cheirinho a castanhas assadas, frio na cara (fim de tarde de outono ideal), buzinas, ventinho, semáforos...ui...até arrepia.
Descer pelos restauradores e entrar na rua por onde não se vê o Rossio. Estação do Rossio, toda recuperada e muitoooo bonita...iluminada...que linda que é Lisboa, bolas!
Sobe-se um bocadinho e vejo umas escadas do lado direito que me lembram aquele passeio, algures ainda no Verão.
Seguimos pela rua que sobe para os armazéns. Rua Garret. Só quando chegamos perto da Rua Ivens olho para trás e me apercebo que já há luzes de Natal nos armazéns do Chiado. Alguém pergunta: "Não tinhas reparado?"humm...não (penso: tenho de estar mais atenta, já me escapam evidências).
Corto à esquerda como recomendado. "Depois deves ver um largo"...hum...há uma espécie de rotunda mas os nomes das praças não coincidem...sigo mais rapidamente...porque o tempo passa rápido, principalmente quando se passeia. procuro algum sinal que me diga que vou no caminho certo.Onde está essa rua, Victor Cordon?!
Do lado esquerdo, umas grades que fazem lembrar uma prisão...e...supresa das surpresas...uma das vistas mais bonitas que Lisboa já me deu. Um miradouro ali escondido...
Fim da rua...o primeiro elemento que me diz estar no caminho certo. Há carris de eléctrico na calçada. A campaínha testemunha a evidência. Rua Victor Cordon. Agora só falta encontrar o número da porta e
esperar que seja perto. Mais uma rua a subir...e o eléctrico já passou!!
domingo, novembro 18, 2007
erro de percepção
naquele dia não percebeu o que se passou disse-lhe que fechasse os olhos para sentir a brisa mais perto a lua iluminava o ceu estrelado e nem o chão escapava à luz forte
nada ficava na sombra nem os olhos que às vezes os cabelos tentavam esconder
confiou na luz para prendê-la mas mal as pálpebras se fecharam ela foi embora
não se apercebeu da fuga afinal já há muito tempo a presença não era sentida
quando voltou a abrir os olhos ela não estava tinha ido sem deixar rasto
sempre fora mestre em disfarces em surpresas em enconderijos quase inacessiveis daí a descontracção com que encarou mais um acaso
um dia sentiu-a sorrir tão presente a sentiu que quis falar-lhe saber como estava possuir-lhe a alma
tentou procurá-la saber onde a encontrava
sem perceber perdeu o fôlego e sentiu-se vazio era tarde esperara demasiado
ela tinha morrido.
sábado, novembro 17, 2007
terça-feira, novembro 13, 2007
Vocc Coff
É conversa sem fronteiras, gargalhadas estridentes, abraços cúmplices...
É novidades fresquinhas, segredos pouco revelados, "piadas privadas"...
É um sem número de palavras, atiradas ao ar, para alguém apanhar...
É confiança, é secretismo, é intimidade, é confissão...
É galinheiro, alarido, confusão aparente...
É tranquilidade...
É café, cigarros, sorrisos, olhares que não acabam depois da despedida...
Vocc Coff é isso tudo...os gomos todos da laranja...
sexta-feira, outubro 19, 2007
quarta-feira, outubro 17, 2007
segunda-feira, outubro 15, 2007
quarta-feira, outubro 10, 2007
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