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quarta-feira, abril 30, 2008

Graças

Sentado na cadeira, pernas cansadas, debruçou-se sobre o prato e uniu as mãos. Os lábios, sussurravam uma língua que não percebi. Depois de servir todos os pratos, de cobrar o vinho, de correr para trás e adiante com esforço redobrado, pelos pés que teimam arrastar-se, fruto da idade, lá se senta. É a sua vez de comer. Mas comove-me a sensação de silêncio entre as gargalhadas estridentes, as discussões acesas. Perturba-me esta vontade de estar só e acompanhado, com um Deus que aí, é só meu. E as palavras baixinhas, segredam, nos seus ouvidos, uma acção de graças de quem agradece a proximidade da terra, enquanto cruza as mãos e reza baixinho. Graças por este pão, pela 'cachupa' que tenho à minha frente. (18/02/2008)

domingo, abril 20, 2008

Ai, ai, aiiiiii

Não tenho inspiração...
e quando tenho...

Não tenho tempo...
e quando tenho...

Não tenho computador à mão...
e quando tenho...

não tenho inspiração...
e quando tenho..

não tenho tempo.

Como dizia o outro...o que é que eu faço?!

sábado, março 22, 2008

Segredo de amigos


Voltar a um lugar onde já se viveu e que faz parte das memórias, é como rever um amigo que já não se vê há muito tempo. Há sempre a ansiedade, o desejo de o rever. Mas ao mesmo tempo, mistura-se a essa vontade o medo de que as coisas não sejam iguais. Porque quando ficamos muito tempo sem ver alguém que já fez parte do nosso quotidiano, e presenciou experiências e serviu de confidente aos nossos segredos, e nós aos dele, é possível que as coisas não estejam iguais. Que as piadas não sejam compreedidas à primeira. Que as expressões não sejam reconhecidas. Que as mudanças não tenham sido acompanhadas. Que as coisas não sejam iguais.Sabemos que situações não se repetem. Os vulgares "dejá vu" não são situações que vivemos duas vezes. São apenas a sensação que surge num instante, de que, já tenhamos vivido alguma coisa em algum momento na nossa vida. Mas são apenas isso. Uma sensação.


Mas voltar a percorrer ruas, a reviver o que se passou, a comer petiscos já experimentados e voltar a estar com pessoas que viveram connosco esse dia-a-dia longínquo, é como rever um amigo que há muito não víamos, e reconhecê-lo. E (Re)conhecê-lo. É um reabituar àquilo que somos com ele, àquilo que ele é connosco. E àquilo que somos quando estamos juntos.
A dualidade do sentimento faz-me desejar reconstruir o momento da minha partida, há pouco mais de um ano. Mas não. Vou guardar aquela manhã de Fevereiro só para mim. Parece que tudo permanece intacto na minha cabeça e no meu coração. Tal e qual um segredo de amigos. Madrid e Eu.

A minha cumplicidade com Madrid, foi-se construindo como se de um amigo se tratasse. Madrid cativou-me, com toda a agitação, o bulício, a animação, a variedade característica de toda a cidade grande que se preze. E porque tudo tem o preto e o branco, o quente e o frio, o yin e o yang. Madrid também me cativou pela eterna, calma, e tranquila descoberta que foi o tempo em que lá estive. Fui reviver Madrid faz agora uma semana. Madrid não será a mesma, de cada vez que lá vá. Mas rever e reviver um amigo de sempre, é sempre esta dualidade. De quem se conhece, mas de quem deixa sempre alguma margem para se conhecer melhor. Como os amigos, nem tudo se desvenda, não vá a evidência corroer a saudade e matar o desejo de rever.

sexta-feira, março 21, 2008


"Não te trarei flores, mas tomarei a tua mão e levar-te-ei até elas.
Não um punhado de flores, mas um bosque salpicado de prímulas, obscurecido por violetas.
Dou-te a Primavera."

Pam Brown

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Rapariga de ouro!


Fiz o teste e...confirma-se!! Como eu previa, sou uma menina de ouro!!!
"You Are A Gold Girl
You're dependable and hard working. You never miss a deadline - and you're never late.You have a clear sense of right and wrong. You're very detail oriented.You get frustrated when your friends are sloppy - or when they don't follow through.You're on top of things, and you wish that everyone else was!"
Podem ver também as vossas cores em http://www.blogthings.com/whatcolorgirlareyouquiz/

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Viver o sonho

O jantar era normal. Convites modernos e amigos do ambiente, por email, iguais às respostas. O restaurante, cabo-verdiano, sem cor nas paredes nem imagens que liguem ao continente africano. Ali, na cadeira, olhava em volta a ver o que se passava. Na observação, tinha o seu maior passatempo. As coisas que se aprendem através da observação, todos tão preocupados em falar para ensinar, e ela ali, sedenta de aprender, observava.
As conversas, entre colegas de profissão, foram dar ao de sempre. Ou se gosta do que se faz...e se sofre pelas condições. Ou se foge às más condições, e se faz o que não se gosta. O jornalismo, tem de ser feito com paixão, não por compaixão. É aí que está o verdadeiro sentido de contar histórias. De que adianta contá-las se não se as sabem? É preciso saber ouvir, tentar descobrir em cada linha um novo código e tentar descodificar linguagens. Uma vez, ouviu que o trabalho do jornalista é como o de um neurocirurgião. Para se fazer, é preciso saber exacta e meticulosamente, o que fazer. É por isso que saber bem a história é (quase) mais importante que contá-la.
O jantar lá avançou. Como a conversa. A passos tantos, já se falava de desemprego, no jornalismo. De acordo com alguns estudos, os licenciados em áreas relacionadas com as Ciências Sociais e Humanas são os que mais dificuldades têm em encontrar trabalho. Arriscaria dizer que isto acontece porque teimam em viver os sonhos. São mais românticos, mais poéticos, mais humanos. E por isso, mais sonhadores.
Agora, depois do curso, do estágio e dos pensamentos que às vezes tardam em fugir, não quero falar de más condições de trabalho, de recibos verdes, de ausência de subsídio de alimentação e transporte nem da impossibilidade de marcar férias. Não quero falar do facto de poder continuar assim anos e anos, como alguns. Nem da impossibilidade de construir a vida que imagino minha, já, daqui a nada. Não quero mudar de profissão, arranjar alternativas, ser caixa de super-mercado ou andar aí a choramingar pelos cantos. Eu quero que os dias passem como notícias e que as histórias possam ser contadas por mim. Agora, quero viver o meu sonho, ser jornalísta por este bocadinho. E que aí, assim, nesse espaço tão meu, que o tempo passe devagar e o mundo me caiba na palma da minha mão.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

"Importas-te de me dizer o que se passa?"
"Disseste-o com lágrimas a teimar em cair, nos olhos escuros. Como se uma resposta pudesse abalar-te o mundo, fazer-te cair de vez ou ressuscitar-te com um sopro apenas. Quando ouvi a pergunta, não quis acreditar. Como "Importas-te de me dizer o que se passa?"?Como? Andas a olhar para mim e não me vês? Tantos encontros e desencontros, enganos e frases por acabar. Acabam-se os sorrisos com abraços costumeiros, como se o mundo fosse um lugar tão estranho a nós que desaparecesse. O chão treme como se quisesse fugir e tu perguntas o que se passa. Passa-se que já não me sinto. Passa-se que sinto os costumes a esvair-se em pó, os sonhos lá longe a correr rumo ao horizonte e uma luz solar tão forte que já os fez desaparecer no fio. E o ardor dos olhos é tanto que já nem consigo chorar com medo que as órbitas me saltem de tanta dor. Porque tenho medo de não aguentar aquilo que sinto, de tão mal que o sinto por já não sentir mais. Tenho medo. Medo de não saber qual o sonho por que luto. Tenho fervor nas veias e dor no coração. E às vezes o fervor assalta a dor. E outras é ela que o possui, como o coração quando desata a galopar por já não te ter colado a ele. Salto e fico a meio caminho de sítio nenhum? Ou continuo nesta impaciência que me corrói e me mina, me consome de não me preencher? Ajuda-me a perceber aquilo que me vai no peito, que eu, de tanta dor, já não consigo vislumbrar. Ensina-me a pôr os óculos e conseguir apanhar os sonhos que já desapareceram no fio do horizonte."

sexta-feira, janeiro 18, 2008

A Conta gotas
Abriu a persiana para ver como estava o dia. Lá fora, as gotas de orvalho pingavam nas folhas do alecrim e um cheiro a terra aquecia o ambiente. Aconchegou o casaco naquela manhã fria. Olhou para a lareira, onde a cinza dormia, depois das brasas da noite anterior. Ainda conseguia sentir o cheiro do fumo da fogueira. Lá fora, ainda tudo dormia. Tudo menos o sol que se ia levantando devagar, por detrás da encosta. Aquela casa, mesmo no cimo do monte, era mais do que um lar. Era um sonho tornado realidade.
Lembrava-se de quando a casa ainda era uma miragem. Dos primeiros tempos de trabalho árduo na cidade, onde não se sentia integrada. Naquela altura, os dias passavam depressa, mas pelo acumular de trabalho que ia adormecendo a secretária e a vida. Agora, sozinha naquele fim de mundo, naquele cume da montanha, lembrava todas as fases da escalada. Desde o momento em que começou a sonhar, que a vida tinha corrido melhor. Era por sonhar que vivia. E agora, no topo do monte e no cume da vida pensou que só queria ver tudo a conta gotas. Como se o tempo deixasse de existir e restasse apenas a eternidade.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Olá

Ano Novo!
Podemos ser amigos?!

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Pés saltitantes querem anos novos. Passos pequenos, por mais que a calçada seja irregular e escorregadia, são a melhor maneira de caminhar. Com precaução, é possível que as casas se construam a partir de alicerces fortes. Podem ter cores gritantes, gostar de festa e de alarido, mas não deixam de ser fiáveis e, em última instância, de confiança.
Os pés pequenitos andam devagar, serenamente, incessantemente. Porque os pequenos têm de dar passos mais certeiros, e o tempo de reflexão nunca é tempo perdido. Há que decidir melhor, leve o tempo que levar. Pés pequenos, por terem de procurar as melhores pedras onde saltitar e por terem de planear melhor os próprios saltos, caminham certeiramente ano após ano. Cansam-se muito, porque caminham em dobro. Mas ao mesmo tempo há neles a serenidade de saberem certas as decisões, de tão pensadas e reflectidas. Pés pequenos para grandes passos. Porque são mais certeiros. Porque sim.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

O futuro nos livros
Quando eu era pequena e os dias passavam devagar eu cansava-me das férias. A chegada de dias de férias era mais valorizada, creio que pelas festas na escola no dia antes. Gostava mais das festas de despedida de "Bom Natal" ou "Até para o ano", das recomendações das professoras de "Não se esqueçam de continuar a ler no Verão!" do que propriamento do dia em que não seria obrigatório acordar cedo para ir para as aulas. Gostava mais dos concursos de playback e das festas dos slows da adolescência no refeitório do que do prazer de dormir até mais tarde. E passados uns dias tinha vontade de voltar para a escola. Sempre me cansei das férias e muito especialmente das férias grandes. Sim, porque as férias de Verão eram mesmo grandes, senão enormes férias! Começavam no fim de Junho e só acabavam em meados de Setembro e o tempo rendia tanto que chateava não ter nada para fazer durante dois, quase três, longuíssimos meses de Verão.
Nas minhas férias de Verão, longas e pachorrentas, os meus dias passavam vagarosamente. O tempo, de tão lento, cansava de aborrecido. O tédio era esquecido quando, em meados de Agosto, os novos livros vinham para casa. A partir daí, podia sonhar em planear o novo ano, que aí já fazia sentido. É preciso bases sólidas para começar qualquer coisa. Sem pilares que sutentem, nada vinga nem anda para a frente. Os livros eram os meus pilares fortes num todo de "dolce fare niente", passageiro-permanente das férias de Verão. Os livros vinham, e eu, adorava cheirá-los, folheá-los, ver o que aprenderia logo logo em Setembro (que já estava tão próximo e ao mesmo tempo tão longínquo). Forrava-os com papel de bonecos, primeiro, e depois, transparente, que facilitava a idenificação. Era todo um ritual, este de folhear, cheirar, forrar, voltar a folhear, descobrir o futuro. E as páginas dos livros novos, a cheirar a coisas novas, serviam de base para planear o futuro e exerciam uma espécie de encantamento em mim, que ainda agora eu não consigo negar.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Calçada molhada, botas molhadas, calças molhadas, casaco molhado, cachecol molhado, mãos molhadas, chapéu de chuva molhado, gorro molhado, carteira molhada, telemóvel molhado. Tudo encharcado.
Brghhhhhhhhhhhhhhh...´Tá de chuva, caramba!!

quinta-feira, dezembro 13, 2007

(foto El Pais...Não está bestial??!)

Suspiro Jornalístico em LISBOA

Queria poder ter feito parte da cobertura deste Tratado. Quantas vezes estive durante a manhã de cabeça e coração no Mosteiro dos Jerónimos, a imaginar o ambiente. Preciso de mais do que ser espectadora dos acontecimentos. Quero participar, quero estar, ver, ouvir, quero colaborar. Quero sentir que o mundo sabe mais de si e que eu participo nessa partilha de estórias! Quando é que eu vou poder finalmente deixar de ser uma jornalista de secretária?

quarta-feira, dezembro 12, 2007

LX

(Para ouvir ao ler)

Passear contigo é sentir que quando caminho não estou sozinha. É o descomprometimento de pôr as mãos nos bolsos sem medo de não te dar a mão. É sentir o vento frio na cara, transpirar de calor, sentir o sol a pique no nariz, a iluminar-me o rosto. É compor a gola do casaco e sentir um beijo teu. É o teu cheiro, sempre tão familiar. Saber que estás lá. Saber-te minha. Passear contigo é o misto mais agradável de descontração e apreço. É abraço sem contacto e contacto sem toque. É cumplicidade. Passear contigo é saber-te minha e saber-me tua. De alma, coração, confiança. É sentir que me sabes tantas vezes a tanto, e outras tantas a tão pouco.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

O metro, a cigana e as lágrimas teimosas
Coberta de preto a velha cigana senta-se no banco do metro. Vai nervosa, ansiosa, nota-se-lhe uma instabilidade latente.
As rugas de expressão que acompanham a cara escura, outrora simples e encantadora, carregam a carga emotiva que a transfigura. A velha cigana aperta as mãos devagar. Baixa a cara, vêem-se-lhe as riscas na testa de tanto a engelhar, do sol, da vida. Depois, a cabeça entra quase entre os ombros e começa a gemer muito baixinho. Aperta os dedos contra os olhos num movimento repetido e aflitivo. Desespera, chora baixinho e sem lágrimas. Vida dura, corpo cansado. Mãos marcadas pelo passar dos anos, agora denunciado por não conseguir chorar.
Não chora a velha cigana vestida de negro. Geme de tanto tentar e não conseguir. A velha Lisboa entrega-se-lhe depois, quando sair do metro e vir a luz do dia. Corre e mostra-lhe que o dia é muito mais do que aquela velocidade a que o metro percorre os finos carris debaixo da terra. Se vivesse sempre como topeira nunca poderia sequer supor...tentar por momentos imaginar...adivinhar aquilo que se passa na vida daquela velha cigana de pele bonita. As rugas marcam os caminhos daquela cara viajante. Mas o tormento...sim...o tormento é a evidente dificuldade que as lágrimas têm de lhe percorrer a cara. Uma dificuldade em não saber ou em não conseguir chorar.

"Bentas"

Simplesmente encantadora..

segunda-feira, novembro 26, 2007

Brinde a Lisboa que ela é nossa!


À subida do elevador de Santa Justa, da Av.da Liberdade à Emeroteca, com toalhas do chinês roubadas, na mão
A estranho desaparecimento da Raquel, no bairro, na noite dos anos da Cat
Ao marretas e ao vaca louca, onde "avacalhámos" tantas noites
Ao mercado da Ribeira com carne e fumo na casa de banho e cigarros nas escadas e sangria no sangue
Ao marquês de Pombal, ao chinês do karaoke da despedida das Saras e da Cat
Ao cup do Saldanha, os gelados oferecidos e as mesas guardadas
Ao Picoas, à esplanada, à biblioteca e ao storia del café
À esplanada amarela, aos elevadores avariados e às casas de banho sem papel higiénico da fcsh
Ao campo pequeno da Deb, das garraiadas e da loja onde não vamos comprar nada
À casa da Cat com cafés confidentes, à casa da açoriana com lasanha da boa, à casa da sara de lagos com petiscos de fada-do-lar
À rua Castilho e à avaria do C3
À rua Augusta, à Brasileira, à Rua Garrett e à Av. da Liberdade dos passeios
Ao Bairro Alto, Lux, Loft (e People) das noitadas
À queda da açoriana na 24 de Julho
À Praça de Espanha, à Gulbenkian
À vista da Ponte..quando voltámos da Aroeira ou do MUN
À beira-rio, ao técnico, palcos privilegiados de aventuras surreais
A tudo aquilo que é Lisboa e a tudo o que testemunhou...
Onde cada cantinho tem uma história nossa por contar...
Um brinde a Lisboa...cidade Vocc!

terça-feira, novembro 20, 2007

Bonito, não?

"De modos que te amo.
E sinto tão gravemente a tua falta,
como quem sente a dor num braço que já não tem.
E perco-me em ti
viajando com os olhos
no infinito branco do tecto do quarto
que por segundos podia ser nosso.
Quero-te portanto.
Mais do que me quero a mim...
Ou pelo menos de igual forma,
que este tipo de sentimentos não se querem altruistas.
Espero-te!
Com a ansiedade a empurrar-me o coração,
ora para trás ora para a frente.
Pois é assim que se deve esperar...
Espero que chegues,
que largues os sacos das compras
que desligues a luz e te atires para mim."

segunda-feira, novembro 19, 2007

Cheirinho de Castanhas é cheirinho a Lisboa

Em busca de uma reportagem fui caminhar por Lisboa. Não que só uma reportagem justifique fazê-lo...pelo contrário. Desde que me lembro que caminho por Lisboa. Muitas vezes com objectivo, outras vezes sem destino, sempre a observar o que se passa. E Lisboa, nesta altura. sabe mesmo bem.
Procurei uma rua, depois das explicações do H.. A companhia conhecia pior que eu a cidade. Descemos as escadinhas da descida íngreme (será que uma descida também o pode ser?!), quatro, uns atrás dos outros. Tempo apertado, caminhar calmo por constrangimentos alheios. Cheirinho a castanhas assadas, frio na cara (fim de tarde de outono ideal), buzinas, ventinho, semáforos...ui...até arrepia.
Descer pelos restauradores e entrar na rua por onde não se vê o Rossio. Estação do Rossio, toda recuperada e muitoooo bonita...iluminada...que linda que é Lisboa, bolas!
Sobe-se um bocadinho e vejo umas escadas do lado direito que me lembram aquele passeio, algures ainda no Verão.
Seguimos pela rua que sobe para os armazéns. Rua Garret. Só quando chegamos perto da Rua Ivens olho para trás e me apercebo que já há luzes de Natal nos armazéns do Chiado. Alguém pergunta: "Não tinhas reparado?"humm...não (penso: tenho de estar mais atenta, já me escapam evidências).
Corto à esquerda como recomendado. "Depois deves ver um largo"...hum...há uma espécie de rotunda mas os nomes das praças não coincidem...sigo mais rapidamente...porque o tempo passa rápido, principalmente quando se passeia. procuro algum sinal que me diga que vou no caminho certo.Onde está essa rua, Victor Cordon?!
Do lado esquerdo, umas grades que fazem lembrar uma prisão...e...supresa das surpresas...uma das vistas mais bonitas que Lisboa já me deu. Um miradouro ali escondido...
Fim da rua...o primeiro elemento que me diz estar no caminho certo. Há carris de eléctrico na calçada. A campaínha testemunha a evidência. Rua Victor Cordon. Agora só falta encontrar o número da porta e
esperar que seja perto. Mais uma rua a subir...e o eléctrico já passou!!