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sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Viver o sonho

O jantar era normal. Convites modernos e amigos do ambiente, por email, iguais às respostas. O restaurante, cabo-verdiano, sem cor nas paredes nem imagens que liguem ao continente africano. Ali, na cadeira, olhava em volta a ver o que se passava. Na observação, tinha o seu maior passatempo. As coisas que se aprendem através da observação, todos tão preocupados em falar para ensinar, e ela ali, sedenta de aprender, observava.
As conversas, entre colegas de profissão, foram dar ao de sempre. Ou se gosta do que se faz...e se sofre pelas condições. Ou se foge às más condições, e se faz o que não se gosta. O jornalismo, tem de ser feito com paixão, não por compaixão. É aí que está o verdadeiro sentido de contar histórias. De que adianta contá-las se não se as sabem? É preciso saber ouvir, tentar descobrir em cada linha um novo código e tentar descodificar linguagens. Uma vez, ouviu que o trabalho do jornalista é como o de um neurocirurgião. Para se fazer, é preciso saber exacta e meticulosamente, o que fazer. É por isso que saber bem a história é (quase) mais importante que contá-la.
O jantar lá avançou. Como a conversa. A passos tantos, já se falava de desemprego, no jornalismo. De acordo com alguns estudos, os licenciados em áreas relacionadas com as Ciências Sociais e Humanas são os que mais dificuldades têm em encontrar trabalho. Arriscaria dizer que isto acontece porque teimam em viver os sonhos. São mais românticos, mais poéticos, mais humanos. E por isso, mais sonhadores.
Agora, depois do curso, do estágio e dos pensamentos que às vezes tardam em fugir, não quero falar de más condições de trabalho, de recibos verdes, de ausência de subsídio de alimentação e transporte nem da impossibilidade de marcar férias. Não quero falar do facto de poder continuar assim anos e anos, como alguns. Nem da impossibilidade de construir a vida que imagino minha, já, daqui a nada. Não quero mudar de profissão, arranjar alternativas, ser caixa de super-mercado ou andar aí a choramingar pelos cantos. Eu quero que os dias passem como notícias e que as histórias possam ser contadas por mim. Agora, quero viver o meu sonho, ser jornalísta por este bocadinho. E que aí, assim, nesse espaço tão meu, que o tempo passe devagar e o mundo me caiba na palma da minha mão.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

"Importas-te de me dizer o que se passa?"
"Disseste-o com lágrimas a teimar em cair, nos olhos escuros. Como se uma resposta pudesse abalar-te o mundo, fazer-te cair de vez ou ressuscitar-te com um sopro apenas. Quando ouvi a pergunta, não quis acreditar. Como "Importas-te de me dizer o que se passa?"?Como? Andas a olhar para mim e não me vês? Tantos encontros e desencontros, enganos e frases por acabar. Acabam-se os sorrisos com abraços costumeiros, como se o mundo fosse um lugar tão estranho a nós que desaparecesse. O chão treme como se quisesse fugir e tu perguntas o que se passa. Passa-se que já não me sinto. Passa-se que sinto os costumes a esvair-se em pó, os sonhos lá longe a correr rumo ao horizonte e uma luz solar tão forte que já os fez desaparecer no fio. E o ardor dos olhos é tanto que já nem consigo chorar com medo que as órbitas me saltem de tanta dor. Porque tenho medo de não aguentar aquilo que sinto, de tão mal que o sinto por já não sentir mais. Tenho medo. Medo de não saber qual o sonho por que luto. Tenho fervor nas veias e dor no coração. E às vezes o fervor assalta a dor. E outras é ela que o possui, como o coração quando desata a galopar por já não te ter colado a ele. Salto e fico a meio caminho de sítio nenhum? Ou continuo nesta impaciência que me corrói e me mina, me consome de não me preencher? Ajuda-me a perceber aquilo que me vai no peito, que eu, de tanta dor, já não consigo vislumbrar. Ensina-me a pôr os óculos e conseguir apanhar os sonhos que já desapareceram no fio do horizonte."

sexta-feira, janeiro 18, 2008

A Conta gotas
Abriu a persiana para ver como estava o dia. Lá fora, as gotas de orvalho pingavam nas folhas do alecrim e um cheiro a terra aquecia o ambiente. Aconchegou o casaco naquela manhã fria. Olhou para a lareira, onde a cinza dormia, depois das brasas da noite anterior. Ainda conseguia sentir o cheiro do fumo da fogueira. Lá fora, ainda tudo dormia. Tudo menos o sol que se ia levantando devagar, por detrás da encosta. Aquela casa, mesmo no cimo do monte, era mais do que um lar. Era um sonho tornado realidade.
Lembrava-se de quando a casa ainda era uma miragem. Dos primeiros tempos de trabalho árduo na cidade, onde não se sentia integrada. Naquela altura, os dias passavam depressa, mas pelo acumular de trabalho que ia adormecendo a secretária e a vida. Agora, sozinha naquele fim de mundo, naquele cume da montanha, lembrava todas as fases da escalada. Desde o momento em que começou a sonhar, que a vida tinha corrido melhor. Era por sonhar que vivia. E agora, no topo do monte e no cume da vida pensou que só queria ver tudo a conta gotas. Como se o tempo deixasse de existir e restasse apenas a eternidade.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Olá

Ano Novo!
Podemos ser amigos?!

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Pés saltitantes querem anos novos. Passos pequenos, por mais que a calçada seja irregular e escorregadia, são a melhor maneira de caminhar. Com precaução, é possível que as casas se construam a partir de alicerces fortes. Podem ter cores gritantes, gostar de festa e de alarido, mas não deixam de ser fiáveis e, em última instância, de confiança.
Os pés pequenitos andam devagar, serenamente, incessantemente. Porque os pequenos têm de dar passos mais certeiros, e o tempo de reflexão nunca é tempo perdido. Há que decidir melhor, leve o tempo que levar. Pés pequenos, por terem de procurar as melhores pedras onde saltitar e por terem de planear melhor os próprios saltos, caminham certeiramente ano após ano. Cansam-se muito, porque caminham em dobro. Mas ao mesmo tempo há neles a serenidade de saberem certas as decisões, de tão pensadas e reflectidas. Pés pequenos para grandes passos. Porque são mais certeiros. Porque sim.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

O futuro nos livros
Quando eu era pequena e os dias passavam devagar eu cansava-me das férias. A chegada de dias de férias era mais valorizada, creio que pelas festas na escola no dia antes. Gostava mais das festas de despedida de "Bom Natal" ou "Até para o ano", das recomendações das professoras de "Não se esqueçam de continuar a ler no Verão!" do que propriamento do dia em que não seria obrigatório acordar cedo para ir para as aulas. Gostava mais dos concursos de playback e das festas dos slows da adolescência no refeitório do que do prazer de dormir até mais tarde. E passados uns dias tinha vontade de voltar para a escola. Sempre me cansei das férias e muito especialmente das férias grandes. Sim, porque as férias de Verão eram mesmo grandes, senão enormes férias! Começavam no fim de Junho e só acabavam em meados de Setembro e o tempo rendia tanto que chateava não ter nada para fazer durante dois, quase três, longuíssimos meses de Verão.
Nas minhas férias de Verão, longas e pachorrentas, os meus dias passavam vagarosamente. O tempo, de tão lento, cansava de aborrecido. O tédio era esquecido quando, em meados de Agosto, os novos livros vinham para casa. A partir daí, podia sonhar em planear o novo ano, que aí já fazia sentido. É preciso bases sólidas para começar qualquer coisa. Sem pilares que sutentem, nada vinga nem anda para a frente. Os livros eram os meus pilares fortes num todo de "dolce fare niente", passageiro-permanente das férias de Verão. Os livros vinham, e eu, adorava cheirá-los, folheá-los, ver o que aprenderia logo logo em Setembro (que já estava tão próximo e ao mesmo tempo tão longínquo). Forrava-os com papel de bonecos, primeiro, e depois, transparente, que facilitava a idenificação. Era todo um ritual, este de folhear, cheirar, forrar, voltar a folhear, descobrir o futuro. E as páginas dos livros novos, a cheirar a coisas novas, serviam de base para planear o futuro e exerciam uma espécie de encantamento em mim, que ainda agora eu não consigo negar.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Calçada molhada, botas molhadas, calças molhadas, casaco molhado, cachecol molhado, mãos molhadas, chapéu de chuva molhado, gorro molhado, carteira molhada, telemóvel molhado. Tudo encharcado.
Brghhhhhhhhhhhhhhh...´Tá de chuva, caramba!!

quinta-feira, dezembro 13, 2007

(foto El Pais...Não está bestial??!)

Suspiro Jornalístico em LISBOA

Queria poder ter feito parte da cobertura deste Tratado. Quantas vezes estive durante a manhã de cabeça e coração no Mosteiro dos Jerónimos, a imaginar o ambiente. Preciso de mais do que ser espectadora dos acontecimentos. Quero participar, quero estar, ver, ouvir, quero colaborar. Quero sentir que o mundo sabe mais de si e que eu participo nessa partilha de estórias! Quando é que eu vou poder finalmente deixar de ser uma jornalista de secretária?

quarta-feira, dezembro 12, 2007

LX

(Para ouvir ao ler)

Passear contigo é sentir que quando caminho não estou sozinha. É o descomprometimento de pôr as mãos nos bolsos sem medo de não te dar a mão. É sentir o vento frio na cara, transpirar de calor, sentir o sol a pique no nariz, a iluminar-me o rosto. É compor a gola do casaco e sentir um beijo teu. É o teu cheiro, sempre tão familiar. Saber que estás lá. Saber-te minha. Passear contigo é o misto mais agradável de descontração e apreço. É abraço sem contacto e contacto sem toque. É cumplicidade. Passear contigo é saber-te minha e saber-me tua. De alma, coração, confiança. É sentir que me sabes tantas vezes a tanto, e outras tantas a tão pouco.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

O metro, a cigana e as lágrimas teimosas
Coberta de preto a velha cigana senta-se no banco do metro. Vai nervosa, ansiosa, nota-se-lhe uma instabilidade latente.
As rugas de expressão que acompanham a cara escura, outrora simples e encantadora, carregam a carga emotiva que a transfigura. A velha cigana aperta as mãos devagar. Baixa a cara, vêem-se-lhe as riscas na testa de tanto a engelhar, do sol, da vida. Depois, a cabeça entra quase entre os ombros e começa a gemer muito baixinho. Aperta os dedos contra os olhos num movimento repetido e aflitivo. Desespera, chora baixinho e sem lágrimas. Vida dura, corpo cansado. Mãos marcadas pelo passar dos anos, agora denunciado por não conseguir chorar.
Não chora a velha cigana vestida de negro. Geme de tanto tentar e não conseguir. A velha Lisboa entrega-se-lhe depois, quando sair do metro e vir a luz do dia. Corre e mostra-lhe que o dia é muito mais do que aquela velocidade a que o metro percorre os finos carris debaixo da terra. Se vivesse sempre como topeira nunca poderia sequer supor...tentar por momentos imaginar...adivinhar aquilo que se passa na vida daquela velha cigana de pele bonita. As rugas marcam os caminhos daquela cara viajante. Mas o tormento...sim...o tormento é a evidente dificuldade que as lágrimas têm de lhe percorrer a cara. Uma dificuldade em não saber ou em não conseguir chorar.

"Bentas"

Simplesmente encantadora..

segunda-feira, novembro 26, 2007

Brinde a Lisboa que ela é nossa!


À subida do elevador de Santa Justa, da Av.da Liberdade à Emeroteca, com toalhas do chinês roubadas, na mão
A estranho desaparecimento da Raquel, no bairro, na noite dos anos da Cat
Ao marretas e ao vaca louca, onde "avacalhámos" tantas noites
Ao mercado da Ribeira com carne e fumo na casa de banho e cigarros nas escadas e sangria no sangue
Ao marquês de Pombal, ao chinês do karaoke da despedida das Saras e da Cat
Ao cup do Saldanha, os gelados oferecidos e as mesas guardadas
Ao Picoas, à esplanada, à biblioteca e ao storia del café
À esplanada amarela, aos elevadores avariados e às casas de banho sem papel higiénico da fcsh
Ao campo pequeno da Deb, das garraiadas e da loja onde não vamos comprar nada
À casa da Cat com cafés confidentes, à casa da açoriana com lasanha da boa, à casa da sara de lagos com petiscos de fada-do-lar
À rua Castilho e à avaria do C3
À rua Augusta, à Brasileira, à Rua Garrett e à Av. da Liberdade dos passeios
Ao Bairro Alto, Lux, Loft (e People) das noitadas
À queda da açoriana na 24 de Julho
À Praça de Espanha, à Gulbenkian
À vista da Ponte..quando voltámos da Aroeira ou do MUN
À beira-rio, ao técnico, palcos privilegiados de aventuras surreais
A tudo aquilo que é Lisboa e a tudo o que testemunhou...
Onde cada cantinho tem uma história nossa por contar...
Um brinde a Lisboa...cidade Vocc!

terça-feira, novembro 20, 2007

Bonito, não?

"De modos que te amo.
E sinto tão gravemente a tua falta,
como quem sente a dor num braço que já não tem.
E perco-me em ti
viajando com os olhos
no infinito branco do tecto do quarto
que por segundos podia ser nosso.
Quero-te portanto.
Mais do que me quero a mim...
Ou pelo menos de igual forma,
que este tipo de sentimentos não se querem altruistas.
Espero-te!
Com a ansiedade a empurrar-me o coração,
ora para trás ora para a frente.
Pois é assim que se deve esperar...
Espero que chegues,
que largues os sacos das compras
que desligues a luz e te atires para mim."

segunda-feira, novembro 19, 2007

Cheirinho de Castanhas é cheirinho a Lisboa

Em busca de uma reportagem fui caminhar por Lisboa. Não que só uma reportagem justifique fazê-lo...pelo contrário. Desde que me lembro que caminho por Lisboa. Muitas vezes com objectivo, outras vezes sem destino, sempre a observar o que se passa. E Lisboa, nesta altura. sabe mesmo bem.
Procurei uma rua, depois das explicações do H.. A companhia conhecia pior que eu a cidade. Descemos as escadinhas da descida íngreme (será que uma descida também o pode ser?!), quatro, uns atrás dos outros. Tempo apertado, caminhar calmo por constrangimentos alheios. Cheirinho a castanhas assadas, frio na cara (fim de tarde de outono ideal), buzinas, ventinho, semáforos...ui...até arrepia.
Descer pelos restauradores e entrar na rua por onde não se vê o Rossio. Estação do Rossio, toda recuperada e muitoooo bonita...iluminada...que linda que é Lisboa, bolas!
Sobe-se um bocadinho e vejo umas escadas do lado direito que me lembram aquele passeio, algures ainda no Verão.
Seguimos pela rua que sobe para os armazéns. Rua Garret. Só quando chegamos perto da Rua Ivens olho para trás e me apercebo que já há luzes de Natal nos armazéns do Chiado. Alguém pergunta: "Não tinhas reparado?"humm...não (penso: tenho de estar mais atenta, já me escapam evidências).
Corto à esquerda como recomendado. "Depois deves ver um largo"...hum...há uma espécie de rotunda mas os nomes das praças não coincidem...sigo mais rapidamente...porque o tempo passa rápido, principalmente quando se passeia. procuro algum sinal que me diga que vou no caminho certo.Onde está essa rua, Victor Cordon?!
Do lado esquerdo, umas grades que fazem lembrar uma prisão...e...supresa das surpresas...uma das vistas mais bonitas que Lisboa já me deu. Um miradouro ali escondido...
Fim da rua...o primeiro elemento que me diz estar no caminho certo. Há carris de eléctrico na calçada. A campaínha testemunha a evidência. Rua Victor Cordon. Agora só falta encontrar o número da porta e
esperar que seja perto. Mais uma rua a subir...e o eléctrico já passou!!

domingo, novembro 18, 2007

VERDE, VERDINHO...VERDESCO, VERDÃO...DIZ QUE SIM, QUE É O MESMO BLOG...COM UMA CORZITA DIFERENTE
Novo formato.....mais adequado ao tempo e à nova fase que se impõe.
Tento prometer...mais assiduidade...e...espero...as reflexões do costume.
erro de percepção
naquele dia não percebeu o que se passou disse-lhe que fechasse os olhos para sentir a brisa mais perto a lua iluminava o ceu estrelado e nem o chão escapava à luz forte
nada ficava na sombra nem os olhos que às vezes os cabelos tentavam esconder
confiou na luz para prendê-la mas mal as pálpebras se fecharam ela foi embora
não se apercebeu da fuga afinal já há muito tempo a presença não era sentida
quando voltou a abrir os olhos ela não estava tinha ido sem deixar rasto
sempre fora mestre em disfarces em surpresas em enconderijos quase inacessiveis daí a descontracção com que encarou mais um acaso
um dia sentiu-a sorrir tão presente a sentiu que quis falar-lhe saber como estava possuir-lhe a alma
tentou procurá-la saber onde a encontrava
sem perceber perdeu o fôlego e sentiu-se vazio era tarde esperara demasiado
ela tinha morrido.

sábado, novembro 17, 2007

Só para saber....

...será que, em última instância, se pode morrer de saudades?

terça-feira, novembro 13, 2007

Vocc Coff
É conversa sem fronteiras, gargalhadas estridentes, abraços cúmplices...
É novidades fresquinhas, segredos pouco revelados, "piadas privadas"...
É um sem número de palavras, atiradas ao ar, para alguém apanhar...
É confiança, é secretismo, é intimidade, é confissão...
É galinheiro, alarido, confusão aparente...
É tranquilidade...
É café, cigarros, sorrisos, olhares que não acabam depois da despedida...
Vocc Coff é isso tudo...os gomos todos da laranja...

sexta-feira, outubro 19, 2007

Leaving On A Jet Plane

Vou mas é pregar para outras freguesias (passe a expressão).
Até já!

quarta-feira, outubro 17, 2007

Se a vida é feita de etapas, de fases, de camadas...porque é que eu sinto que estou prestes a perder um bocadinho de mim?

segunda-feira, outubro 15, 2007

"Dupla Mari"


A star is born...maybe two!





quarta-feira, outubro 10, 2007

maria margarida




a minha flor
Problemáticas (in)/(e)ternas
O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. E o tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo, quanto o tempo, tempo tem.

terça-feira, outubro 09, 2007

Um clássico...

Sei que pode assustar, parecer caricato e até ser muito difícil de imaginar. Mas é com algumas saudades que lembro as tardes inteirinhas em que, com a saia de veludo preta (que a avó me fez a imitar a "Tieta do Agreste" com tanta, tanta roda...que levantava completamente quando eu dava voltas sobre mim própria) rodopiava no tapete da sala ao som desta música. Foi seguramente uma das maiores bandas sonoras da minha infância.
Luz vaga

A sala escura aguarda expectante o som da primeira nota.
O palco é um todo de luz e sombra. Escuridão. Luz.
Ao fundo, como clarão, um corpo quase inerte aproxima-se do piano, num movimento compassado que encanta.
Vestido de preto, caminha como se da primeira vez se tratasse. A plateia é sempre diferente, uma conquista mútua, pensa.
Os dedos percorrem então o teclado branco e negro, ainda sem qualquer som na sala cheia mas em silêncio profundo.
O alívio instala-se nele e no auditório quando os dedos tocam finalmente as teclas e o piano entra em consonância perfeita com o ar que se respira no espaço escuro. Pessoal e colectivamente, cada um respira de alívio.
A nota soa pela primeira vez e preenche o vazio do silêncio que se instalou de repente, mal as luzes se apagaram.

As mãos percorrem a medo e a confiança as tiras brancas num movimento avassalador de tão seguro e ao mesmo tempo, virgem.
A cabeça, muito direita é abraçada por breves momentos pelos ombros. Depois, ao mesmo tempo que se levanta, agita-se desregradamente, sem destino.
Rumo ao infinito, qual estrela cadente, encontra conforto quando tropeça novamente nos ombros e finalmente os olhos encontram paz nas brancas teclas do piano negro.
Silêncio insurdecedor da plateia. E finalmente a salva de palmas de pé, que funde artista e público num só. Fim do espectáculo.
Bang

Coração aos pulos. Passo acelerado. Vento na cara. Mãos nos bolsos. Cabelo nos olhos e na boca. Lenço ao pescoço. Cheiro a fim de tarde de Verão. Sol à temperatura certa. A luz amarela que me apaixona. Os olhos ficam mais claros, tal como a vontade de ir embora.

quinta-feira, setembro 27, 2007

PASSO(-ME)


UFA!!!!!EHHHHHHH!!!!VIVA!!!!Consegui mais duas semanas...

sexta-feira, setembro 21, 2007

quinta-feira, setembro 20, 2007

A Filipe da Mata p´ro lado direito...

Tem mais luz...cheira melhor... e tem sabor a nostalgia (quem diria que ia sentir a falta da fcsh...)

quarta-feira, setembro 19, 2007

Tenho agora...

outRo Amor Diferente, outra paIxãO

terça-feira, setembro 04, 2007


Hace un año conoci Madrid...

Y ahora te echo muchisimo de menos...voy a visitarte pronto! Y...ya!

segunda-feira, setembro 03, 2007




Impossível enterrar na areia




Lembro-me do Verão sempre da mesma maneira.
Faziam-se concursos para ver quem era o primeiro a avistar o farol a partir do início da ponte.
Os trinta e um dias de Agosto viviam-se demorada e serenamente. As manhãs eram passadas com os pais, os manos e os tios na praia. Sandes de ovos mexidos e salsichas trazidas pela avó Petit mais ou menos à hora de almoço. Ameixas rainha-cláudia ainda a pingar de terem sido lavadas há pouco tempo. Uvas, maçãs às vezes. Sei lá! Deitavam-se as duas sereias por cima da areia quente. Implicavam uma com a outra, as irmãs queridas!
Ainda não se falava de raios UV nem de queimaduras solares, nem de cremes ecrã total. O avô aparecia entretanto, caminhava pela praia, molhava os pés. Mãos atrás das costas, unidas, e voltava para casa. A avó adormecia os manos pequenos entre os braços à beira-mar a cantar O meu menino é d´oiro, é d´oiro o meu menino, Hei-de levá-lo aos anjos, p´ra que ele seja pequenino! A meio da tarde voltávamos para casa.
Tomávamos banho em bacias de água que a mamã aquecia no fogão. A casa de banho era fora de casa, numa espécie de "avançado". Vestiamo-nos e íamos com a mamã e a titi fazer fugir as gaivotas que se passeavam ao pôr-do-sol na praia.
O mês passava-se sem grandes sobressaltos.
Depois apareceram os primeiros grupos de amigos e as primeiras "horas marcadas" para estar em casa. Os passeios de bicicleta na água que se acumulava quando a ria enchia e ultrapassava os limites. Cada ano, a conquista de mais uma hora por noite. Vieram os primos, mais e mais. Os passeios de bote à ilha. Piqueniques. Passaram anos. Grupos de amigos maiores. Amigos que foram para a faculdade. Dispersão geral.
Os avós desapareceram.
Fica um vazio enorme. A casa é cheia mas falta muitas vezes a presença de quem a enchia também. Com calma, com serenidade, sem gritos. Os dias de Verão têm sempre um quê de especial. As memórias ficam para sempre. São como o nevoeiro da Costa Nova que - como a avó dizia - "Vai abrir, de certeza!". Sim, é verdade, às vezes o dia abre mesmo.
Fica um sol quentinho que aquece a cara e o coração.
Caminho ao fim-de-semana, por agora, este ano. O pôr-do-sol acompanha os passos pelo passadiço novo, que a avó já não conheceu. Em prol das caminhadas veraneantes, a praia tem essa novidade.
É nesses passeios que mais vezes se recordam os avós, com o vento a bater na cara e o sol a pôr-se ao longe, no horizonte. Cenário ideal que ajuda a tê-los mais perto. Ao avô, que caminhava à beira-mar, de mãos cruzadas atrás das costas. E à avó, que relembro com as ondas misturadas com a areia a baterem-lhe nos tornozelos, enquanto embalava os manos à beira-mar, embrulhados nas toalhas de praia, a cantar baixinho. Parece que a oiço a sussurrar a música de embalar, quando escuto o mar que embala o pôr-do-sol.

Ó papão mau, vai embora
De cima desse telhado
Deixa dormir o menino
Um soninho descansado

Um passeio à beira-mar que dava vontade de ficar até anoitecer. Um dia destes fico.
Para o ano, porque não?

domingo, julho 29, 2007


Já viste a lua hoje?
É pena que não tenha estado igual ontem...é pena não poder haver dois dias com lua cheia, que nos encha a alma.

Ontem precisava mesmo da lua cheia. Cheguei e estavam quase todos à minha espera..qual regresso desejado. Acredita que também eu o desejava. Também eu sonhei com o momento eu que poderia abraçar-te outra vez e reconhecer os cheiros e as cores e a luz da cidade. O brilho é inconfundível. A maresia, o aroma doce do rio no ar. E o cheiro de casa? Quando voltei a entrar pareceu-me o que senti pareceu-me tão familiar como desconhecido. Afinal a minha ausência não se resume à costumeira "meia-dúzia" de dias que costumava sair todos os anos...não é?

Nunca uma decisão foi tão pensada, tão temida e tão desejada, ainda que esta caracterização seja tão docemente certeira como redondamente paradoxal.

O medo era tanto que hesitei até na hora de entregar os papéis, ainda que a sentença não fosse imediata. A experiência que - todos falavam - não devia perder; o medo de sair e nada voltar a ser o mesmo; o desafio de ouvir aquela língua que me fascinava; a vontade de receber "na minha casa" visitas que em tempos ocupavam o segundo a seguir ao despertar.

As vozes, depois da despedida, rapidamente se tornaram longínquas e menos nítidas, codificadas pela velocidade de trasferência de dados, no computador que me fez infinita companhia.

Passei a ser "eu aqui" e "vocês aí": e o aqui agora é noutro sítio...incomparavelmente...diferente.


O tempo passa num ápice...penso agora que tudo termina. E custa pensar que, além da rapidez...há também a "ausência do regresso"...

Porque por mais que se peça, com música ou sem, o tempo não volta para trás.

Mas não, não vou ficar triste. Aquilo a que me propus foi o meu melhor plano...aquele que foi traçado com a precisão de um "x-ato". E acima de tudo, aquele que passou além das palavras, dos sonhos, das iniciativas, dos pensamentos...aquele que consegui realizar depois de tantas conversas e confissões e sorrisos nervosos e cúmplices em tardes com este e aquele, em sonhos de noites de verão numa rede de pano qualquer, numa casa, num quarto, num carro. Porque deixei pura e simplesmente de tentar prever o que ia acontecer para passar a sentir o que acontecia. A pedalar ao ritmo da bicicleta em vez de fazer com que ela ande à velocidade que eu lhe imponho. Porque percebi que às vezes também importa fazer o que sinto e não, sentir o que quero.


Se a lua estivesse ontem como igual a hoje -penso agora com mais clareza - talvez as gargalhadas à luz ténue das velas compradas com todo o carinho do mundo, tivessem sido absorvidas por uma nostalgia incontrolável. Espero que não se repitam os dias..nem as noites...

A beleza e a preciosidade destas coisas que agora carrego dentro de mim..não têm o peso de um fardo...mas de um crescimento que preciso de mostrar aos outros. Porque eles vão concerteza querer saber se concretizei o sonho de muitas noites de lua cheia, de conversas cúmplices, de cafés apressados.

Ainda bem que não há noites iguais. E que cada uma guarda sempre alguma coisa especial.

Hoje a lua cheia...Amanhã?! Não faço ideia...



Como disseste uma vez:

"Eh miúda...já não temos palavras para o nosso crescimento!!"...


Isso mesmo. Sê bem-vinda!

sexta-feira, julho 20, 2007





Vislumbrá-lo ao longe


Os olhos podem não pousar uns nos outros. Pode não haver contacto de mãos a não ser durante a hora de ponta do metro quando todos são obrigados a tocar-se, por um lugar melhor no comboio subterrâneo de regresso a casa.
Custa ouvir o despertador mal o dia nasce (como parece), acordar cedo, tomar banho quando os olhos ainda ardem e comer apressada. Custa sair de casa com a brisa fria de um Verão que teima em não aparecer completamente. Porque dele se vislumbra apenas um ventinho fresco, numa esplanada qualquer, num fim de tarde diferente, em boa companhia.
Tal como o Verão que não aparece...as férias deste ano foram substituídas por...trabalho! Custa pensar que o Verão passado tenha podido significar o fim das "férias académicas" de Verão. Nesta altura resta esperar por uma aberta no horário. O tempo teima em passar depressa, como as semanas de não-férias que se vão acumulando umas a seguir às outras.
Vale o regresso de uns, muito esperados; a permanência de outros, em semelhante situação, como companhia deste Verão trabalhoso e sacrificado, mas tão desejado e tantas vezes sonhado em conversas de esplanada amarela e de outras cores também.
E vale, quase mais que tudo, o rio Tejo ali à minha frente todas as manhãs que me estende a mão no caminho para o sonho que ainda permanece de me tornar aquilo que almejo e que já sinto ser no mais íntimo do meu ser.


Porque quando vejo a luz de Lisboa no Terreiro do Paço logo pela manhã...dá vontade de nunca parar de conhecer esta cidade, cuja luz tantas vezes desejei, lá longe. Esta luz que além de iluminar o dia, prende e impede o esquecimento.

domingo, junho 10, 2007

Acabei de encontrar isto num livro sobre jornalismo, durante uma pesquisa "fortiva" nesta época final que enlouquece e nos enche por dentro de tão pequenos que somos..face à grandeza do Universo.
Copiei-o um dia...já nem me lembrava...
Tinha de ser do grande génio...

«Eu amo os meus sonhos», disse eu para alguém,
Prosaico, em manhã de inverno, que com desdém replicou:
«Não sou escravo de Ideal
E, como gente sensata, amo o Real».
Pobre louco, o ser e o parecer trocando!
É que eu amo o Real meus sonhos amando.

Fernando Pessoa

terça-feira, fevereiro 27, 2007


Sidrar


Eu sidro...

Tu sidras...

Ela sidra...

domingo, fevereiro 18, 2007


MADRID


Dizia Fernando Pessoa da Coca-Cola: "Primeiro estranha-se; depois entranha-se". Sinto o mesmo em relacao ao meu (quase no fim) ERASMUS.
As malas estao quase feitas. Roupa de Verao (ainda) e de Inverno aos montes, sobreposta com lembrancas, saudades (ja e ainda) e otras cositas más. Mas as fotografias continuam nas paredes, á espera da hora derradeira. Aquela hora em que as últimas coisas se poem dentro do último saco e se preparam para o regresso. Afinal, vou voltar para casa.

Cinco meses e meio de ausencia. Desde 4 de Setembro que estou em Madrid. Adaptacao difícil (muito mais do que imaginava). A verdade é que sempre fui um bocadinho avessa a mudancas, confesso. Mas pensava que tinha mudado. Afinal, nao tanto como isso!
Sento-me na ponta da cama coberta com a colcha azul turqueza e suspiro. Nunca pensei que esta aventura me trouxesse tantas emocoes como aquelas que vivi, que vivo e que nunca mais acabam. Encosto os cotovelos nos joelhos e parece que todo o corpo cai. Deito a cabeca na cama e olho á minha volta. O quarto pequenino, frio e humido, meu aconchego nas horas mais nostalgicas, vai ser abandonado. Todas as minhas marcas - fotografias, papelada, termoventilador, tapete as riscas, O Beijo do Klimt comprado no Rastro, desarrumacao - tudo vai deixar de fazer parte da casa madrilena.

Depois do Natal, quando regressei, senti que comecava a contagem decrescente. E essa sensacao fez nascer uma enorme ansiedade e uma angústia (diria, grandota) por o tempo estar a passar tao depressa. Mas é mesmo verdade...passou a correr.
O meu ERASMUS nao foi aquilo que eu sonhava. Sonhava com noitadas de partilha, conversas e descobertas de que me falavam com tanto orgulho pessoas que ja tinham ido e ja tinham regressado, paixoes assolapadas por tudo e por nada, gargalhadas histéricas, baldas as aulas, amizades loucas, espontaneas. Acho que tive as experiencias, mas nao na intensidade com que as sonhava. Sera que me estou a fazer entender?
Bem...adiante!
Cada regresso a Lisboa era para mim uma lufada de ar fresco. A Luz de Lisboa é incomparável. O branco da calcada inigualável e o que sinto quando chego é um conforto imenso e uma sensacao de "casa" muito grande. Conheco os sitios, os ruidos, os cheiros...e dá-me uma seguranca enorme poder encontrar pessoas conhecidas em sítios familiares. Aqui em Madrid nao era assim. Mas desde que comecei a pensar que me ia embora que me sinto em "casa" quando chego. A estranheza dos primeiros tempos contrasta agora, fria e cruelmente com a sensacao de que me sinto bem, de que já conheco sítios e já sinto a cidade como minha. Agora nao me importo de andar por ai a deambular sozinha, nao me importo de rir quando fixo o olhar nos homens-estátua dos preciados e eles sorriem, nao me interessa estalar os dedos no metro quando vibro com a musica nos headphones alheios...porque Madrid já e minha. Já a sinto como familiar, como um sítio que conheco, como companheira cúmplice e discreta de aventuras, risotas, brincadeiras, dancas e cancoes, paixoes, ERASMUS.
Gosto de passear e poder responder a turistas onde é a estacao de metro mais próxima, quanto tempo demora a viagem até Segovia, quanto custam os bilhetes de autocarro e a que horas fecha o Mac de Cuatro Caminos. Gosto quando tocam a campainha e nao se percebe nada do que dizem, quando vou a descer as escadas do metro aqui mesmo a porta de casa (e so atravessar a estrada) e sentir o vento a soprar no cabelo. Gosto de chegar a Ciudad Universitaria e ver que o sinal do semáforo está verde para eu passar, e sentir que ha na cafetaria o cheirinho de napolitanas de chocolate e montes de gente da mesma idade que faz as mesmas coisas que eu e rapazes a jogar rugby no campo enlameado e sempre cheio de pocas de água mesmo atrás do edificio novo da faculdade. E gosto que ninguém perceba o que digo quando falo portugues e gosto dos amigos que fiz e de passear pela Calle Mayor e de me sentar na Plaza Mayor e de sentir que tenho a orelha vermelha por isso é sinal que a mesma hora alguém de quem gosto muito e que gosta muito de mim, está a pensar em mim. E o que gosto mais é de nao pensar nesta despedida como uma coisa definitiva. E certo que ERASMUS termina e nunca mais vai ser o mesmo. De turista passei a residente e com a mesma rapidez e intensidade vou voltar a condicao inicial. É incrível como os ciclos se repetem e ainda mais incrível eu sentir - como digo tantas vezes - que a intensidade com que sinto querer voltar é a mesma que me faz pensar remotamente que poderia ficar mais. Porque acho que aquilo que nao podemos mudar a partida se torna mais desejado (pelo menos neste caso). Porque decidi partir e neste momento apetece tanto ficar. Porque as companeras de piso, Cuatro Caminos, o Carrefour, o Sol, o Paseo do Prado, o Reina Sofia, a Gran Via, a musica clássica a porta da Fnac dos Preciados, os passeios pela Calle Arenal desde a Opera até ao Palacio Real e a minha Plaza Mayor me vao fazer tanta falta.
Porque este misto de emocoes so me faz sentir que estou maior, mais sensível a realidade, e me sinto como tu disseste T., que o crescimento nao "cabe mais em nós". Porque me sinto cheia de tudo e de nada, porque vai custar dizer Adeus (melhor dizer hasta ahora) e me vai dar tanto prazer refazer a rotina.
Madrid faz parte de mim porque, sinto, nao consigo descrever tao bem como gostaria aquilo que sinto por ela. E porque já tenho saudades e ainda nao fui.
Dizia eu quando vim..naquele post remoto cheio de nostalgia portuguesa, de saudades enormes, de falta de tudo aquilo que a mudanca me tinha tirado...Lo importante es volver. Digo o mesmo agora que regresso. A frase vai ficar para sempre. Muda o objecto. Como está tudo sempre em mudanca, resta esperar pela próxima paragem. Nao será ERASMUS porque esse nao se pode repetir. Mas será certamente por outro motivo qualquer. Porque em mim...há tantas recordacoes como há sonhos por concretizar. E como dizia o poeta...parar é morrer!

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Última Hora


Comunicado Oficial
Por motivos até agora desconhecidos (aparentemente de carácter muito forte), alheios ao próprio S. Valentim (percursor e responsável deste dia tao falado e especial), fica adiado o dia 14 de Fevereiro, vulgo comemorativo dia dos namorados para a semana que vem. E em decreto geral passará a chamar-se Dia dos Super Namorados.


E aí sim...vamos comemorar. Vale?!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

A descoberta do dia...

Hoje aprendi a justificar os textos do blog! E também outra coisa que agora me esqueci...(sera que ja a "desaprendi"?)...ah...e ja converti o meu blog as maravilhas de Google account...nao sao magnificos estes progressos das novas tecnologias? Quem diria que um dia poderiamos fazer tal coisa!

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Amanha é outro dia

Ha tantos dias que se sentia cansada. Acordava sem saber o que fazer apesar da papelada se juntar na escrivaninha empoeirada. Mas cada dia lhe parecia que o acumular nao era suficiente para incentivar a limpeza. E entao deixava passar os dias entre os pensamentos e os sonhos repetidos que tentava nao esquecer. Logo que acordava de algum deles, apressava-se a pegar no caderninho azul com a estrelinha amarela ao canto e a escrever com detalhes aquilo que sonhara. As vezes parecia-lhe infantil mas o Dr. V. tinha-lhe dito um dia, numa tarde chuvosa, que talvez escrever os sonhos em papel ajudasse a enfrentar os medos que tinha.
Depois de escrever com todos os detalhes o sonho, voltava a tapar-se. Metia até a cabeca debaixo dos lencois, para que a luz que entrava pela janela sem portada nem persiana nao lhe fizesse fugir a continuacao do seu sonho. E a vontade de regressar ao mundo do sonho que tinha deixado para tras afunilava com a sensacao do corpo a perder o peso e a levitar (parecia-lhe que levitava, nao era?).

terça-feira, janeiro 30, 2007


Como o dia é tao especial e as lembrancas tao presentes apetece dizer a toda a gente que te adoro. É bom saber que nos guardámos tao bem e que já sabemos tanto um sobre o outro. É como se o tempo tivesse passado e deixado as suas marcas, mas o fascínio do primeiro dia se mantivesse intocável, perante tantas provas e tantas tormentas.
É como se tivessemos conseguido proteger o mais importante na redoma mais forte (nunca pensei que pudessem existir redomas blindadas). E tudo, em simples segundos, se aglomera num filme perfeito de imagens que se sucedem, de datas que se celebram, de musicas que marcam compassos tantas vezes descompassados.
Nem sempre juntos mas nunca separados, disseste um dia. Bom saber que posso contar contigo para o que der...e vier..

Por mais 6 vezes 6 vezes 6...porque parecem infinitos...muito mais que seis...e ainda tanto que disfrutar..tanta descoberta que ai vem...
Vamos?


Mas espera...espera por mim...espera que eu regresse. Entretanto, quero que recebas, de bracos abertos e com toda a calma e serenidade do mundo...um abraco a distancia e um beijo que pode ser de saudade, de carinho, de atencao, de preocupacao, apaixonado...e tudo mais que precises... Muitos Parabens!!

Aí sim...vou também sentir a resposta da tua parte a pergunta que fizeste. Sim..quero namorar contigo! Parabens outra vez, pequeno! Hoje é o Nosso dia!

segunda-feira, janeiro 15, 2007

22...
...Ca estou eu!!

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Sim?

O bater do pe repetido no chao da calcada branca manchada pelos pes dos que passavam, denunciava a ansiedade. E talvez tambem a falta de maturidade que algumas vezes acusavam de ter. -Devo ter desculpa-, pensava...afinal os dias nao eram todos iguais e sentia sempre o friozinho na barriga em horas como aquelas.
O telefonema veio sem avisar. Nao e que nem todos avisem que vem, mas naquela manha, ainda a dormir, sentiu o toque do telefone. Como nada fazia prever reaccoes como aquelas, levantou-se com sobressalto e pousou o auscultador na mesinha de cabeceira. O sinal de impedido do outro lado denunciava a chamada curta e avassaladora.

(-Sera mesmo isso que queres?)

De joelhos no chao, flashes de imagens abatem-se num pensamento filmico, regrado e rapido. Imagens, imagens, imagens. Momentos, lembrancas, emocoes. Volta sentar-se na cama e escuta o relogio.
-E preciso pensar coerente e rapido. - reflecte.

(-Isto e mesmo verdade?)

Agora um calor avassalador passa por todos os membros e parece que a cabeca explode de dor. O coracao dispara qual revolver accionado por um simples pulsar de dedo. A voz volta a cabeca e, agora vem um frio assustador gelar-lhe tudo aquilo que faz do seu corpo, humano.

(-Para que sentir?)

Encosta as costas a cama desfeita e pousa os cotovelos nos joelhos e a cabeca nas maos, que tremem sem parar. E preciso pensar. Pensar rapido e agir. Profunda(mente). Telefonar nao vai resolver. Nao restitui. Nao resolve. Nem sequer da comodidade. Mas fazer o que? Esperar? Pensar? Dizer tudo ou nao dizer nada? Insultos? Devaneios? Sentimentos de si e de outro que parece o mesmo? Confusao avassaladora. Branco. Quebra.
A calcada suja denuncia tambem os passos de quem tem estorias para contar.
- Sera que passamos por ela alguma vez em silencio? Ler-nos-ia ela os pensamentos, agora?
O tempo atrasa o encontro. A ansiedade aumenta a cada segundo. E neste impasse, nesta instabilidade e nesta incerteza, e dificil identificar o bom e o mau, o que partilhar e o que guardar, o que fazer...
Esquecer?
-Parar de bater o pe. Talvez assim acalme este instinto de querer mais e pedir impossiveis. Isso...maturidade.

segunda-feira, dezembro 18, 2006


Alimentar passaros


As maos, envelhecidas e amareladas pelo tempo, eram testumunho dos anos idos em que trabalhava na fabrica de tijolos, nos arredores da grande cidade. Foram tempos dificeis esses. A mulher e os tres filhos pequenos recebiam-no de bracos abertos, mesmo que o dinheiro tardasse para pagar as contas acumuladas na mercearia da rua.
A saida, fazia-a ainda de noite, quando todos dormiam. E as maos, aquecidas no caminho, uma contra a outra, eram a sua companhia, bem como os pensamentos. Pensava no momento em que voltaria para casa para os abracar e saber do que tinham feito durante o dia. A sua princesa, acendia o fogao de sala improvisado que aquecia os pequenitos. Mas eram, sem duvida as conversas sobre os dias que aqueciam os coracoes. O poder dos olhares era tanto que nada o igualava. E trocavam ideias, pensamentos, segredos que mais ninguem sabia. Eram pessoais e exclusivos do nucleo familiar.
Depois de parar de trabalhar, os dias encheram-se mais desses pequenos momentos, ainda que os pequenos se tenham convertido em grandes e abandonado temporariamnete a casa paterna. As dificuldades nao sao agora tanto as economicas mas as de encontro. Agora quando chega ja nao tem princesa e tres principezinhos a espera. A princesa esta, efectivamente, agora mais velha e casmurra, mas preserva o sorriso que o fascinou e as preocupacoes que sempre a caracterizaram. E continua a acender a lareira para que as maos dadas se aquecam depressa.
Quanto aos pequenotes seguiram a sua vida (como tem de ser). Alem das frequentes visitas (ja que, por sorte, vivem perto), conservam a alegria e a forca da juventude, que ajuda a encarar cada dia como algo totalmente novo.

Ele, caminha pelo parque. Solitario, pisa as folhas caidas e amareladas do Outono. Sao esses os seus dias. Alimentar passaros. Encontrei-o ontem com a alegria que, creio, foi sempre sua. Queriamos tirar uma fotografia a retratar o seu "oficio". Disse, como quem esta convencido de que tem razao, que a "fotografia perfeita" seria comigo a alimenta-los, eu mesma.
Como sempre, temi pela impressao que o pequenitos pudessem provocar na minha mao; qualquer movimento repentino da minha parte poderia ser fatal.
Por outro lado, nao queria perder a oportunidade. Aproximei-me. Pareceu-me um momento eterno, aquele. Daqueles que nunca mais se repetem e, no entanto, prevalecem.

Eu tambem ja alimentei passaros.

sábado, novembro 18, 2006


Fumava uns cigarros atràs dos outros. O fumo, segregado pelos làbios, deixava um doce cheiro no ar. De dia, fumava-os rapidamente, à entrada dos cafés, das livrarias, das lojas de musica. Nas esplanadas, tentava afastar-se de quem nao o fazia. Mas de noite, os cigarros eram a companhia das noites frias, e ela sabia-o. Escrevia poesia enquanto os agarrava entre os dedos da mao esquerda. O s dedos, amarelados pelo vicio, eram testemunho das noites sem dormir e dos dias a correr, passados entre os dois trabalhos que o dividiam.
Mas à noite, era diferente. A luz vaga do candeeiro na mesa ao fundo do quarto, iluminava pouco as caras e deixava a imaginacao trabalhar. Quando batiam à porta, ele sabia quem era so pela maneira como os dedos assentavam na madeira clara e oca. Nem precisava de dizer-lhe que entrasse. A vontade era maior que tudo e apressava-se a perguntar como tinha corrido o dia. Respondia-lhe apressada que, « -Bem ! » e aproximava os labios da testa dele, dava-lhe um beijo e dizia-lhe « Até amanha ».
O jogo comecava. Ela dizia que nao num compasso calculado entre a ficcao e a realidade. Dava razoes mais que plausiveis para serem felizes para sempre. Acreditava e fazia-o crer tambem.
O cigarro dava calor quando ela saia a meio da noite sem avisar e o deixava acordar com a ideia de que tinha sido tudo um sonho. Os làbios rosados nos ombros descobertos sentiam a pele macia e arrepiavam-na sempre. Ela suspirava com vontade de o abracar mas deixava-se embalar por aquele toque carinhoso.
-Amas-me?
-Claro. Sabes que sim.
Pegou no cigarro e deu uma passa profunda. Partilharam o mesmo cigarro e deixaram-se contemplar um pelo outro. Afinal, ela sempre achou que partilhar um cigarro era das coisas mais romanticas.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Num milesimo de segundo
E quando ela, la ao longe, o viu dizer Adeus, pegou nas forcas que lhe restavam e gritou:
-Quero que toda a gente saiba que te amo!

Depois caiu exausta no chao frio da rua e sentiu-se morrer.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Era sempre da mesma maneira. Acordava quando o sol se punha e com ele nascia todos os dias. As piadas nunca eram as mesmas e os pensamentos sobre ela eram recorrentes. Uma vez, cairam os dois à entrada daquela igreja alta e familiar, naquele largo onde tantas vezes se despediram. Sorriram e ficaram imoveis a espera que o momento ficasse para sempre. Ele dizia que tinha a sensacão que era sempre ele que dizia adeus e ela queria dizer-lhe que não mas também o sentia. Ficavam montes de vezes a olhar um para o outro e as conversas eram tão envolventes que conseguiam que se passassem horas sem que nunca um assunto fosse repetido. Sorriam juntos e cada um no seu mundo, quando, no balanco do dia, desejavam estar juntos.
Ele pedia-lhe muitas vezes para dancar no meio da rua. E nessas alturas criavam um mundo so deles e nao davam pelos olhares e sorrisos dos outros que passavam (e passavam mesmo). Quando as cartas comecaram a ser assiduas, ela achou que estava apaixonada. Ai, tudo aquilo que pensava se desvaneceu. A fortaleza edificada dissipava-se a cada abraco, a cada sorriso, a cada beijo, a cada toque de maos. E quando ele desapareceu naquele segundo em que o despertador tocou, ela continuou a sonhar com ele.

terça-feira, outubro 31, 2006


As nossas cores


Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodovar
Cores de Frida Kalo
Cores

Passeio pelo escuro
Eu presto muito atenção no que o meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um carro
Uma casca
Uma cápsula protectora

Ai eu quero chegar antes
Para finalizar
O estado de cada coisa
Filtrar seus graus

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Dos meninos que têm fome

Pela janela do carro
Pela janela do quarto
Pela tela
Pela janela
Quem é ela
Quem é ela
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Escolho meu modo
Me mostro
Eu canto:
Para quem?

Pela janela do carro
Pela janela do quarto
Pela tela
Pela janela
Quem é ela
Quem é ela
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo
E meus amigos? Cadê?
Minha alegria?
Meu cansaço?
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado!
Pela janela do carro
Pela janela do quarto
Pela tela
Pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle
nãnãnã...nãrãnãnã...

Adriana Calcanhoto



("Nem sei ao certo se a letra está certa"...só sinto muito as saudades destas noites em que ficamos, com toda a serenidade e alegria do mundo, a conhecer-nos melhor. E é nestas noites que o mundo parece estar aos nossos pés e todas as cores têm o sabor da amizade mais forte e mais pura do Mundo.)

quinta-feira, outubro 26, 2006


Que me dizes a um Erasmus a copo?
(irresistìvel...)

terça-feira, outubro 24, 2006

Pessoa: do Lat. persona, s. f., ser ou criatura da espécie humana; ser moral ou jurídico; personagem; individualidade.

Pessoas lindas
Pessoas estranhas
Pessoas simpàticas
Pessoas tìmidas
Pessoas que nos dizem muito
Pessoas a quem nao somos nada
Pessoas especiais
Pessoas desafinadas
Pessoas desajeitadas
Pessoas que gritam
Pessoas que choram
Pessoas que se defendem
Pessoas inteiras
Pessoas em construcao
Pessoas crescidas
Pessoas pequeninas
Projectos de pessoas
Pessoas boas
Pessoas màs
Pessoas alegres
Pessoas sem vergonha na cara
Pessoas corajosas
Pessoas destemidas
Pessoas aventureiras
Pessoas que sabem
Pessoas que nao fazem ideia
Pessoas presentes
E pessoas que nunca estao
Pessoas fortes
Pessoas friorentas
Pessoas caladas
Pessoas altas
Pessoas baixas
Pessoas que pensam alto
Pessoas que nao chegam aos calcanhares
Pessoas futuristas
Pessoas tal qual sao
Pessoas assim.
Tudo Pessoas.

domingo, outubro 22, 2006

Imagens Reais

O horror, o drama, a tragédia!!!
Madrid, a movida e a aventura Erasmus...tudo junto...agora em imagens!!!

(é isso mesmo...criei o meu proprio fotolog...durante Erasmus hà mais uma oportunidade para saberem da minha vida...agora com ilustracao!!!)

www.fotolog.com/mianocas

Visitem e comentem!!!

sexta-feira, outubro 20, 2006

Inverno

Custa-me abrir os olhos de manha...olho pela janela e vejo tudo escuro. E é impossivel perceber o que se passa na rua através da janela, impossivel saber o que vestir, se esta frio, se esta calor, se chove...

Os olhos ardem-me e depreendo que seja pela impossibilidade de adaptacao à luz...ardem-me tanto...
Hà vida nesta cidade pela quantidade infindàvel de vezes que consigo ouvir a sirene de ambulancias ou bombeiros na enorme avenida onde moro; fica mesmo junto a uma grande rotunda que faz a ligacao entre quatro caminhos...é assim que se chama: Quatro Caminhos. Alguma vez tive quatro caminhos a escolher? Normalmente, creio, sao apenas dois...nem sei se seria mais fàcil escolher entre quatro...seriam...este, aquele, o outro e o outro...nem poderia estar perante um dilema..senao um grande dilema...melhor...um quadrilema.

Pois é, para sorte ou azar calhou logo viver em Quatro Caminhos...para o melhor e para o pior...como estes textos que escrevo.

Desde que aqui estou que nao me surgem grandes temas para alem da propria da experiencia que ando a viver. Tudo o que vem a cabeca esta relacionado com ERASMUS; é inevitàvel que se fale disto e nao consigo evitar pensà-lo em palavras. O pior é que dessa pasagem para a escrita sobra muito pouco e parece-me tudo tao limitado...tao sem sumo?!!

Acordo. Destapo-me. Ponho os pés mornos no chao branco e frio. Espreito pela janela e nao vejo nada. Olho, tento ver para além do vidro e para alem dos sons que ja me invadiram os ouvidos desde o primeiro momento. E de repente é hora de despachar. Hora de correr, de apanhar o metro. De pensamentos matinais. De observacoes a olho nu de uma realidade com a qual tantas vezes jà me identifico e outras tantas me causa repulsa, desalento e tristeza. E tento perceber as palavras. E corro para apanhar o semàforo verde quando jà pisca.
Respiro este ar. Bebo palavras, atitudes, caras e expressoes quotidianas de tanta gente com que me cruzo diariamente. Volto a casa e espero ansiosamente. E sinto-me, às vezes, tao mais vazia do que gostaria...

terça-feira, outubro 03, 2006

Já te tinha visto antes sem dar por ti.
Tinha-te imaginado sem te conhecer.
Sonhei contigo. Noites e noites. E noites.
E sorri tantas vezes a lembrar-me das tuas graças.
E no mais íntimo do meu ser, sinto-te dentro das entranhas da minha alma. Em cada bocadinho do que sou eu.
E é sempre tudo tao especial. Tao quente. Tao solarengo. Tao mágico. Tao nosso, nao é?

E depois colaste-te. Colei-te. Deixei-te ficar. Quis sempre que ficasses.
Gosto. Gosto muito. Adoro. Adoro mesmo. Gosto de adorar gostar de ti.
AQUI


Aqui nunca fica de noite.
Aqui o metro é caótico, o ar pesado, todos se atropelam e falam ao mesmo tempo. E sempre alto.
Aqui faz muito calor...e dizem...também muito frio.
Aqui as pessoas sao diferentes umas das outras. Há pessoas de muitas nacionalidades que falam muitas línguas e riem e choram e gritam de maneiras distintas.
Aqui quase todas as "chicas" têm piercings na boca.
Aqui todas se pintam, de noite e de dia.
Aqui todos os dias, ao fim da tarde, as ruas enchem.
Aqui há barulho na rua e feiras ao Domingo e velhinhos à conversa sentados nos bancos das praças e tapas caras e miúdos a correr pelos jardins quando o calor de Verao amaina.
Aqui o movimento é intenso.
Aqui os cheiros misturam-se, ouvem-se gargalhadas e vêem-se sorrisos e amigos aos abraços e namorados de maos dadas,
Beijos apaixonados e sorrisos cúplices.
Aqui os prédios sao altos e escuros e nao se percebe., da janela, o tempo que está.
Aqui as praças sao amplas e o sol ilumina as caras e os corpos.
Aqui tudo é novo.
Aqui por isso, tudo é estranho.
Apesar de já ter cheirado, sentido, ouvido, visto e imaginado.
Aqui. Isto aqui.
Aqui.

segunda-feira, outubro 02, 2006


Quando?

sábado, setembro 09, 2006

Lo importante es volver


O calor aperta. Num Verao qualquer eu nao estaria aqui. As marcas brancas da estrada passam por mim a toda a velocidade e o desconhecido aproxima-se a um ritmo galopante. Alucinante. Desesperadamente assustador. O vidro aberto balança os cabelos mas nao refresca. O ar está quente, seco. Tenho as maos quentes. A garganta seca. A cabeça cheia. Gosto de memórias. Gosto de recordaçoes. Do passado. Gosto de saudades. E já as tenho. Elas nao me largam.
Um placard luminoso na autoestrada. Lo importante es volver. Sei que faz parte de uma campanha publicitária qualquer. Para se ter cuidado. Para se conduzir com prudência.
Para mim é muito mais. É um pedido. Uma lembrança. Um sinal.

Um desejo.
Desejo rever-vos o mais rápido possível. Quero Erasmus. Quero ainda mais voltar. Quero sentir-vos. Quero ter-vos. Quero saber-vos aqui, ali, lá comigo. Onde for. "Para o Infinito e mais além". Como no Toy Story. Tenho Saudades.
Isso mesmo. Permito-me alterar o sentido do sinal. Do aviso. Do desejo. Da brincadeira. Lo importante es ir. Y despuès volver.

sábado, julho 22, 2006

Para o Avo Jú, com todo o carinho e saudade que sinto dele.
É impossível passar indiferente pelos momentos, pelas memórias, pelas fotografias.
As lembranças percorrem-nos a cada palavra, a cada lágrima, a cada pensamento.
É impossível não lamentar a situação,
Impossível não sofrer.
É impossível esquecer o Avo Jú,
Impossível pensar que é o fim porque, acredito,
É impossível o avo caber apenas no caixão onde o corpo descansa,
Impossível descreve-lo, caracterizá-lo tal qual ele é.
Porque é muito mais do que o corpo que pereceu.
É o amigo de todas as horas,
O marido, o pai e avo exemplar.
Além disso, é o Homem,
Humilde, sério, correcto
Sempre tão dedicado e tão orgulhoso,
Tão carinhoso e sincero.
Impossível é que fique para sempre longe;
Porque agora está mais perto de todos,
Bem dentro de cada um de nós, onde vai ficar para sempre.
19.06.2006

quinta-feira, julho 06, 2006


Treinadora de Bancada

O que eu gostava mesmo era...

...que o Ricardo Carvalho não tivesse posto o pé;
...que o Nuno Gomes tivesse entrado em vez do Postiga ou que houvesse 4 substituições;
...que o tempo pudesse voltar atrás e pudessemos marcar uns e evitar outros.

A inevitabilidade do tempo é uma coisa tramada...quase sempre. E às vezes são os melhores que perdem! E o melhor foste tu, Portugal! Parabéns!

quarta-feira, junho 21, 2006

A.M.O.T.E.

O meu sol não é o que ilumina o teu dia.
Nem a tua lua é a mesma que transfigura a minha noite.
Buscamos complementaridades de maneiras tão diferentes que não as encontramos.
A subtileza e a evidência contrastam tão intimamente que se substituem em simultâneo sem darmos por isso.
A urgência de to mostrar motiva o que te digo sempre. Para ver se um dia tu paras de pensar que não...
E acreditas

segunda-feira, maio 29, 2006

Fui

Queria guardar tudo. O reencontro, os momentos, os sorrisos, os passos, os abraços. Queria ter na minha cabeça imagens, fotografias, sons, inspirações e expirações.
Queria recordar tudo sem ter de pensar, as ideias deviam vir simpes e espontaneamente à minha cabeça e dançar num compasso livre e disperso, como ela quisessem, sem constrangimentos e sem segundas intenções.
Queria ter coragem de embarcar nessa aventura, voar, pousar, sentir, aderir, compreender, perceber, ver, reflectir, pensar, concluir.
Imaginava tudo tão difuso, tão nebulado. Queria atitude, coragem, dedicação. Eliminei o conformismo, cedi à vontade, à grande vontade. Respirei, ganhei coragem, acreditei e fui.
Adorei.
Pode não ser grande passo para todos os que não o vêem assim. Para mim foi desafiar-me a mim mesma e à minha coragem, tantas vezes de garganta...acho que me fiz crescer.

terça-feira, abril 25, 2006

Inspira(-me)

Aqui, neste frio de fim de tarde/princípio de noite, falta-me a inspiração. Falta-me a memória daquelas coisas que me lembro enquanto ando na rua, do que penso quando me cruzo com quem quer que seja, ou daquilo que gostaria de escrever se tivesse papel quando vejo aquelas coisas que me comovem ou que me chocam ou que pedem de mim uma intervenção (aquela que penso feita à minha maneira).
E vivo assim nesta incostância minada, umas vezes pela vontade de escrever e outras pela frustração de não me lembrar o quê.
A substância é muitas vezes aquilo que me falta nestes dias que me perseguem como se o amanhã nunca mais chegasse. E por mais que me deite e teime em deixar a portada entreaberta para acordar sem despertador, parece que o novo dia que chega é sempre igual. As pessoas as mesmas, as acções automatizadas e as obrigações mais do que instituídas.
E penso que já não me lembro bem daquilo que pensei ontem precisar de escrever. Parece um paradoxo. Não sei precisar aquilo que preciso de escrever.
E o passar dos dias só é uma confirmação disto que sinto.

quinta-feira, abril 20, 2006

Num Meio de Minuto...

Tenho tantas saudades tuas.

terça-feira, março 14, 2006

Dias Exemplares

São três histórias. Sempre três personagens. Uma Mulher. Um Homem. E uma Criança. As vidas cruzam-se como na vida real. Em três tempos diferentes. Passado. Presente. Futuro. Nesses três tempos, sem nos darmos conta, somos transportados como se quiséssemos ir, como se a eles pertencessemos. Em comum têm apenas uma tigela. E mais importante que isso, a poesia de Walt Whitman. Um poema, "Folhas de Erva", que se torna, sem darmos conta, o mote destas histórias. Como o poema é enorme, deixo um excerto. Espero que aguce o apetite.

"Já disse que a alma não é mais do que o corpo,
E já disse que o corpo não é mais do que a alma,
E, para cada um, nada, nem Deus, é maior que se próprio,
E quem caminha duzentos metros sem amar caminha para o seu próprio funeral, envolto na sua mortalha,
E eu ou tu, que não temos tostão, podemos comprar o melhor que há na terra,
E olhar de relance ou mostrar um feijão na sua vagem obscurece o saber de todos os tempos,
E não há ofício nem trabalho em que um jovem não possa tornar-se um herói,
E não há objecto tão frágil que não possa servir de eixo às rodas do Universo,
E digo a cada homem ou mulher: Que a tua alma permaneça serena e plácida perante um milhão de universos."

domingo, março 05, 2006

Apetecia-me...

Às vezes apetecia-me parar, no caminho para casa. Parar naquela ponte, que permite passar a linha do comboio. Apetecia que ela não tivesse aquela cor, aquela textura, aquela frequência às vezes aflitiva durante o dia e aquele silêncio arrepiante durante a noite. Às vezes apetecia-me sentar, naquela ponte que (apetecia-me) não tivesse aquele metal à volta a proteger das quedas. Apetecia-me sentar, deixar cair as pernas e ficar com elas a abanar...para trás e para a frente, para a frente e para trás. E depois ouvir o vento. Apetecia-me que nesses momentos os meus pensamentos não fossem interrompidos pelo barulho que me ensurdece, sempre que lá passo. A petecia-me ficar a ouvi-lo. Porque os pensamentos estão sempre em mim, quando passo naquela ponte. E apetecia-me sentar, baloiçar os pés e parar por momentos, num segundo. Assim, o momento iria parecer algum escondido num daqueles filmes em que os pés balançam e em que muitas palavras ficam por dizer porque a velocidade a que circulam na cabeça não o permite.
Apetecia-me depois ficar a olhar para Lisboa. Aquela que tenho vindo a conhecer, pouco a pouco, mas loucamente, como qualquer paixão em início de namoro. Eu namoro-a desde o primeiro dia. E apetecia-me ficar com ela, senti-la, enquanto baloiçava os pés. E apetecia-me ficar a pensar naqueles que fazem parte dos meus dias, naqueles que não têm estado cá, naqueles que estão, naqueles que riem e choram e gritam e refilam e brincam e fazem parte de mim. Daqueles que vejo todos os dias e daqueles que desde a véspera da partida deixaram saudades. Apetecia-me, quando me sentasse, lembrá-los todos e senti-los, no sopro do vento, todos lado a lado, ao meu lado, nessa ponte onde passo todos os dias. Apetecia-me que não houvesse combóio nem rede nem arame nem barulho. Apetecia-me que às vezes, Lisboa fosse só esta paixão, com silêncio e onde eu pudesse ouvir, quando me apetecesse, apenas o sopro do vento.

domingo, fevereiro 12, 2006

Histórias...

Debaixo duma cama existe uma caixa de cartão azul. O azul é parecido com o chamado "azul petróleo", aquele azul forte. A caixa foi montada de acordo com um pequenito livro de instruções. A unir os seus vértices e arestas estão umas pequeninas molas pretas que encaixam, uma por dentro, outra por fora. Estas duas partes são "almas gémeas", feitas à medida para que encaixem perfeita e totalmente, uma na outra. O cartão, as molas e a cor fazem com que a caixa se distinga das outras que guarda debaixo da cama.
Dentro duma caixa azul petróleo de cartão, debaixo de uma cama, estão outras caixas, umas mais pequenas, outras maiores. Quando se abre a caixa azul, entra nas narinas um cheiro de recordações. Como quando se espreita uma gaveta que já não se abre há muito tempo ou quando se vai a um sótão onde os velhos livros ou as roupas antigas se amontoam.
Aquilo que está dentro daquela caixa azul debaixo da cama não é intrigante, surpreendente, nem tão pouco suspeito. Reservado apenas a quem a conhece, a caixa azul encerra em si várias preciosidades: cartas, bilhetes, papel de embrulho já utilizado, pequenos presentes.
Se falasse, aquela caixa azul petróleo poderia ser uma bela contadora de histórias. Porque dentro de si há muito mais do que um amontoado de papéis.
Numa breve vista de olhos pelo seu conteúdo, seria possível ficar a par de segredos, sonhos, decepções, gostos, ódios, anseios, desapontamentos.
É possível que só através das palavras escritas e das coisas materiais se possa fazer a história? Não se conhece nenhum poeta que não tenha deixado nenhum poema escrito, nem nenhum músico sem alguma melodia editada, nem pensadores, nem escultores, nem ninguém que seja conhecido apenas porque alguém o conheceu. Será preciso encerrar aquilo que se sente numa materialidade para que possa efectivamente existir, reunir tudo o que se sonha numa "colectânea de sonhos" para que se tornem passíveis de realizar? Porque não basta sentir, dizer, comunicar, transmitir? Porque tudo tem de ser escrito para existir? Afinal a História é mesmo feita de uma sucessão de acontecimentos que foram vistos, interpretados, narrados e transmitidos e ficaram para a posteridade, para que alguém os pudesse sentir de determinada forma. Não da maneira que aconteceram, porque por mais perfeito que seja o escritor, historiador ou romancista, aquilo que relata já tem a sua subjectividade; mas de uma maneira que tentasse recriar o que aconteceu na realidade, para que o leitor possa entendê-la.

Serão os amores impossíveis aqueles que realmente existem por serem aqueles que fazem a história? Afinal todos conhecemos histórias que contam sagas de amores proibidos nas quais dois apaixonados lutam por um amor difícil de concretizar e acabam por cair inevitavelmente nas malhas de um destino cruel.

A caixa azul, debaixo da cama, conta-me uma história de amor. Ela não se lembra bem como começou...conhece-a apenas, ainda que como a palma da sua mão. Sabe-a com um começo, muitas quedas, abraços e recomeços. Sabe-a forte, diferente do início e simultaneamente quase inalterada. Conhece-a pequenina, com bilhetes, sorrisos tímidos, mãos tímidas, olhares tímidos e todas as timidezes características de um início de uma história de amor que se preze. Conhece a sua evolução, as zangas, os tropeções, as lágrimas. Não se pense que a pequena caixa - tão pequena ao lado de tão grande história - apenas conhece tristezas. Deixem-me contar que conhece muitos sorrisos cúmplices, gargalhadas de manhã, à tarde e à noite, sonolentas, com preguiça ou animadas, meios-sorrisos e sorrisos-inteiros. Conhece caminhos, pegadas, corridas. Conhece muitos, imensos beijos, abraços, festinhas. Conhece canções, filmes, trabalhos. Jantares, almoços, lanches e ceias.
- "Conhece-te. Conhece-me." E nós a ela.
Alguém pôs uma história dentro de uma caixa. Afinal as histórias são as interpretações que restam de vivências não pacíficas. De coisas que nos acontecem e nos marcam. Sonho um dia poder contar esta história num livro. Não para que faça História mas para nunca me esquecer que assisti a ela da primeira fila, desde o primeiro dia.
Das histórias que se contam ficam breves memórias de grandiosos sentimentos e emoções que quase não couberam no corpo de tão grandes e fortes. O que interessa, sem sombra de dúvidas, não é relembrá-las, mas vivê-las.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Impotências

Quando vi o médico sair da sala do exame, temi as notícias. É incrível como, perante tão grandes emoções nos apercebemos tão fácil e rapidamente da nossa pequenez. Impotência.
Senti-a chorar, asssustada. Eu, preocupada, não podia fazer nada senão esperar que acordasse efectivamente. Os gritos. O choro. O gemido. As lágrimas. Tudo me fez crer o quanto sou pequena, mesmo para parar o sofrimento de uma pessoa da qual tanto gosto.
A espera pelo fim da anestesia foi longa e demasiado silenciosa. Chorei no corredor, nas escadas, num abraço ao meu pai, sentada na cadeira do quarto, encostada à Zoca enquanto subíamos as escadas. Sofri. Passou. Felizmente tudo correu bem. A minha Mi já está em casa. Não quero é usar a expressão "Pronta para outra!". Não a desejo mesmo. Causa-me repulsa.
Deixei-a quase em casa e dei comigo a fazer uma surpresa. Carro. Uma hora e meia. Comboio. Uma hora. Taxi. 15 minutos. A pé. 25.
A esperar não desesperei. Afinal, quem corre por gosto não cansa e decidi, apesar das oposições, vir despedir-me dele ao aeroporto.
Partiu para Paris cerca das 7e40 da manhã. Levou uma mala muito bem feita, uma mochila a abarrotar, um coração cheio de expectativas, ainda que visivelmente apertadinho pelo medo.
Vi-o sem pestanejar.
Estás em Paris e eu em Lisboa. Foste há cerca de doze horas e desejo que voltes a cada momento. Espero sinceramente que passe depressa.
Check-in, portas 21-23; embarque, porta 16. Excitação, medo, ansiedade, expectativa. Tudo aquilo que vi nos teus olhos deve ter-se reflectido também nos meus. Afinal partilhamos os mesmos anseios já lá vai muito tempo.
Estou a sofrer. Telefonaste desiludido. Triste. Não quero confessar que tinha pensado nisso. Afinal, quero que tenhas em mim uma fonte de confiança e de optimismo. Mas sofro, porque a distância acentua todos os medos que temos em comum. E daqui, não posso abraçar-te como faço sempre que te sinto triste, nervoso, angustiado. Ou simplesmente quando me apetece.
Não gostas da residência. Queria dizer-te que não é o fim do mundo. Que tens de ser forte. Que daqui a uns dias nem vais lembrar-te. Com isto não quero que sintas que não dou importância ao que sentes. Gostava que me sentisses sempre ao teu lado. Foi isso que te quis transmitir, sempre. Podes contar sempre comigo. Não reclamo para mim compreensão, calor, arrependimento. Quero que saibas que estou aí. Não aqui como de costume, mas aí, contigo. Sofro por não poder ligar, mandar mensagem, falar contigo na Internet nem poder ver-te. Sei que não sou a única. Por isso te digo aqui lindo...porque as alternativas que tenho são poucas e a única esperança que me resta é que te lembres de ler o meu blog. Neste momento é o máximo que posso fazer. Quero falar contigo, quero sentir em ti que acreditas que amanhã, no segundo dia, vai de certeza ser melhor. Anima-te... não te deixes ir abaixo. Sei que precisas...eu estou aqui. Não tenhas medo.

(Desculpa ter exposto tudo isto a quem quiser ler mas não aguentava mais. Beijo só para ti* DTDQSPT). Volta depressa.

terça-feira, janeiro 31, 2006



Coração nas mãos

O coração dela bate, bate, bate. O batimento é regrado, muito regular…pumpum, pumpum…
Aumenta quando o aparelho se aproxima. É um cone que tem na ponta uma esfera. É-me familiar desde que aquela pequenita nasceu e se tornou o ser mais importante da minha vida. Adoro-a tanto que nem eu mesma sei explicar e medir o quanto. Adoro-a desde que a vi…desde que a senti na barriga ondulante da minha mãe (desde aquela vez em que levantou a camisola que sujava sempre durante o almoço e vi uma onda, imaginei um bebé a pontapear as paredes do útero, a refilar connosco por não lhe darmos atenção)…desde que a imaginei.
Basta imaginá-la para sorrir, para sentir tudo de todas as maneiras. Saudades quando estou longe, alegria quando me faz rir, tristeza quando penso, ainda que num segundo, em perdê-la.
Esta distância que tento manter quando falo de alguém talvez seja apenas uma defesa para estes textos não parecerem apenas cartas dirigidas a um alguém determinado à partida.
Mas hoje é a ti, minha queridinha, que quero dedicar este humilde e sentido texto. Gostava de poder estar contigo aqui, ali, não interessa, num sítio qualquer. Gostava que te aninhasses como só tu sabes e me aquecesses a cama dez minutos antes de me deitar. Que me abraçasses e sentisse o teu coração, a tua pequena-grande coragem (porque és a mais corajosa que conheço) junto a mim.
Mas tu não estás aqui. E sinto o medo que te faz ter tiques. Porque és pequenina. Tens medo do escuro, medo de ficar sozinha, medo que te esqueçam, que não se lembrem, que não te dêem a atenção e o mimo que sei que (apesar de ser) nunca é demais.
Hoje estás com a mamã no hospital e a mana está aqui preocupada, a sofrer ao ver-te sofrer, quase a chorar por estares tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Claro que não é só por ti. Porque tenho a certeza que serás muito bem tratada e que tudo correrá bem. Mas só de pensar que num dia, muito muito longínquo te posso perder, dá-me vontade de correr para ti, dar-te beijos e passar o dia a abraçar-te, não te largar mais, e nunca mas nunca esquecer o cheirinho a bebé que todos aqueles que me conhecem têm conhecimento, só de me ouvir falar dele.
Adoro-te mais que demais…Mia. Não te preocupes (meu bebé para sempre)...a mana promete que vai correr tudo bem.

segunda-feira, janeiro 30, 2006



Mais um...

Este blog já me parece - o que dirão os meus leitores... - um cantinho publicitário. Mas a minha irmã Zoca não gostou da publicidade que dei ao blog do João e reclamou a promoção do seu espaço nestes modernos cantinhos de escrita. Quem quiser ler os textos que escreve, aceda ao seguinte blog: www.mitete.blogspot.com. (Agora um comentário à parte...ela ainda vive na ilusão de pensar que o meu blog-cujo-nome-ninguém-consegue-pronunciar-correctamente, é famoso!!Santa ingenuidade!!).

domingo, janeiro 22, 2006


Novo Blog...

Só para avisar todos os que acedem a este meu humilde e singelo blog, que o meu melhor irmão - e este elogio não é só por ele ser efectivamente o único - também aderiu a esta modita e criou o seu próprio espaço de escrita, divagação e crítica. Para aqueles que estiverem interessados em dar uma espreitadela, comentar ou simplesmente passar por lá e ver como é, aqui fica o endereço: www.chaimeoniu.blogspot.com

Costa Nova...a minha Velha Praia

Hoje fui à Costa Nova do Prado, a minha praia de eleição e onde volto sempre que posso. As casas às riscas, o cheiro a mar, o som das gaivotas, das ondas, as tripas com chocolate...tudo me é familiar. Muito.
Sempre que posso, sonho com uma casa, nessa praia, à beira-mar. Sempre que posso vou à praia, ver o mar, sentir a areia debaixo dos pés, ouvir o vento soprar baixinho e as ondas bater na areia e nas rochas do paredão.
Quando volto para casa, sonho com o regresso, com tudo aquilo que a Costa Nova já me trouxe, com todas as recordações que tenho desta praia, com tudo aquilo que penso vir ainda a viver nela.
Hoje na Costa Nova, tentei agarrar o sol...com o desejo de que possa aquecer os meus dias quando os sinto mais frios e mais cinzentos. Isto enquanto Agosto não chegar.

quarta-feira, janeiro 18, 2006


Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?

Agora que tudo acabou posso finalmente escrever, sentar-me, pensar, esclarecer-me, passar o lápis no papel...e escrever. Estou oficial e finalmente de férias!
Milhares de ideias passaram na minha cabeça e a única coisa que ficou (apercebo-me agora) foi essa sensação. Tudo o resto se foi com a vontade que tinha de o fazer. Refuto a minha "famosa" frase "Fechada para Balanço (porque não tenho tempo)". Não é disso que se trata (ou será que é?). A emergência dos pensamentos no cérebro, que me ligam directamente ao meu coração, afligem-me cada vez mais. Como os tremores de terra (do coração, quando te vejo).
Balança a minha alma. Ao longe caminhas na minha direcção, tudo pensado, duvidado e repensado, dissecado, como só tu sabes fazer.
Atravesso o corredor. Avalio. Tremor. Balanço: incerto. Turvam os olhos, o batimento acelera. Músculo que nunca se cansa.
É difícil, impossível recordar tudo aquilo que faz parte dos meus dias, aquilo que marcou os meus anos. É importante lembrar os grandes momentos, aqueles que ninguém esquece, mas também aqueles que teimam em aparecer nos mais íntimo dos pensamentos, por mais pequenos que sejam. Aparecem porque significaram muito mais do que aquilo que poderia suspeitar.
O último ano foi cheio de tudo. Há para todos os gostos. Quando estou bem disposta, triste, nervosa, totó, apaixonada, derretida, enciumada, impaciente, mal educada, simpática, má, egoísta, (in)flexível. Cada um é um misto de tudo e de coisa nenhuma.
Queria falar de tudo. Descrever com a mesma frescura, os mesmos pormenores, a mesma nitidez, tudo aquilo que me fizeram ver, sentir, experimentar. A frescura de uma brisa à beira-mar, o calor do fim de um dia de Verão, a suavidade de um “edredon” numa madrugada de Dezembro, o disparo de uma máquina que capta o momento e faz o tempo parar, o toque de uma chamada ansiada, o murmúrio de um “Adoro-te” dito-não-dito, o silêncio de um abraço, o bater de um coração. Tremor. Vejo o teu peito tremer. Aquilo que mais ninguém vê porque insisto em esconder com medo que desapareça. Sinto-o tão plenamente como se fosse agora.
Preciso viver para recordar aquilo que está nas entranhas, o que não vi, o que não quis ver, aquilo a que fechei os olhos. As histórias devem ser contadas como as notícias, no momento. Porque o tempo passa e o sentimento, por mais perene que seja, altera-se. Pensa-se e altera-se. Repensa-se e altera-se. E depois as histórias nunca são o reflexo exacto daquilo que foram realmente, o relato nunca é igual àquilo que se sentiu.
Os 21 atraiçoam-me. Os dias confundem a memória que se dissemina, se difunde e se perde em todas as palavras ditas e em todos os olhares lançados.
Temo não me lembrar já de todos os sentimentos – claro que não – que me invadiram durante este ano. Durante o mês que passou. Nem mesmo os do dia de ontem. Lembro-me que todas as experiências são coisas irrepetíveis e intransmissíveis e por isso não vale a pena tentar fazer perceber aquilo que sinto. Vê-se nos olhos. Nas palavras. Naquilo que sussurras e que pensas que de tão baixo, eu não ouvi. Nos 21 que me atraiçoam. Nos tremores de terra.
A terra tremeu outra vez. Várias vezes. Disseram-me. Ao que parece em dias diferentes mas horas iguais. É sempre à mesma hora. Uma. A primeira hora do dia. Parece que o dia começa quando a terra treme.
Legítimo?Como só tu sabes...sinto falta...e mais não digo.

sexta-feira, janeiro 13, 2006


Tempo voa...

Não tenho tido tempo.
Não tenho mesmo.
Aconteceram tantas coisas, a vontade de escrever é tanta e não tenho tempo. Pode parecer mentira mas não tenho mesmo. "O tempo urge e o círculo não é redondo". Grande máxima para quem o tempo é tão importante e para quem se preocupa tanto em aproveitá-lo ao máximo. Planos, horas, momentos, sonhos. Os dias sucedem-se e o tempo não pára... Não pára mesmo."Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui.". Milésimos, segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos. 21 anos. (Que depressão!!). Que faço eu aqui? A urgência de ter que fazer arrepia-me quando penso no pouco tempo que tenho. Dia, noite, dia, noite, passam, como o tique-taque do relógio que não me deixa adormecer."Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes."Lembro os momentos, os instantes, tudo aquilo que senti. Flashes de recordações que aparecem sem pensar, sem querer, sem tempo para mais. Respiro. Apago a luz. Fecho os olhos. Penso. O tempo pára para mim. Adormeço. Toca, toca, toca, toca-me. Acordo.
Mas o tempo não parou. "Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive". Nunca pára.